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Economia Alta da produção de petróleo na Venezuela acende alerta para a Petrobras

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A baixa demanda dos EUA dificulta os planos de Donald Trump de direcionar aos americanos o petróleo do país sul-americano. (Foto: Divulgação/Petrobras)

A perspectiva de aumento da produção de petróleo na Venezuela a médio prazo acende um sinal de alerta para a Petrobras e petroleiras brasileiras de menor porte, caso de Prio e Brava, na visão de especialistas do setor ouvidos pelo jornal Valor Econômico. O retorno esperado de petroleiras americanas à Venezuela, depois da deposição do ex-presidente Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos, poderá contribuir para um aumento da oferta da commodity e pressionar ainda mais os preços, que situam-se atualmente na faixa de US$ 60 para o barril do tipo Brent (na terça-feira fechou em US$ 60,70, com queda de 1,71% sobre a véspera).

A expectativa de que possa haver volumes adicionais de petróleo venezuelano disponíveis em horizonte de 12 ou 18 meses, em um mercado que já está sobreofertado, reforça a necessidade de as petroleiras priorizarem iniciativas de redução de custos para garantir a eficiência das operações, dizem especialistas. Preços menores podem empurrar produtores mais caros para fora do mercado e quem tiver custo de produção mais baixo consegue sobreviver mesmo em um cenário adverso.

“Estamos atentos ao movimento na Venezuela e o foco continua a ser na eficiência de custos”, disse fonte próxima à Petrobras. Executivos da indústria no Brasil reconhecem que a Venezuela tem grandes reservas, mas dizem que o caminho da retomada de produção é gradual e existe ainda a questão de o petróleo venezuelano ser pesado, sujeito a descontos no mercado em um cenário de maior oferta.

O vice-presidente da S&P Global, Carlos Pascual, previu que é possível elevar a produção de petróleo na Venezuela de 900 mil barris por dia para 1,5 milhão de barris diários com a infraestrutura existente num prazo de 18 meses. Para além desse volume, porém, serão necessários investimentos vultosos.

Será preciso observar ainda qual será o papel da Organização de Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+). Entre abril e dezembro de 2025, o cartel elevou gradativamente a produção. Após a invasão americana à Venezuela, no sábado (3), a Opep se reuniu e manteve inalterada a produção. Em 2025, o Brent caiu 18,52%, cotado a US$ 60,49 em 31 de dezembro.

A queda nos preços do petróleo no ano passado levou a Petrobras a rever projetos e adotar cautela nos investimentos. As premissas da Petrobras no plano de negócios 2026-2030, divulgado no fim de novembro, são de um Brent de US$ 63 em 2026 e de US$ 70 entre 2027 e 2030. No plano, a Petrobras também projeta produção de petróleo entre 2,5 milhões e 2,7 milhões de barris/dia nos próximos cinco anos.

Petrobras, Prio e Brava registraram quedas nas ações na B3 pelo segundo dia seguido na terça-feira (6), ainda como resultado da operação militar dos EUA na Venezuela e das incertezas dela resultantes. As ações ON da Petrobras recuaram 1,92%, a R$ 31,15. Papéis ON da Prio caíram 0,8%, a R$ 40,82 e os da Brava perderam 0,06%, a R$ 15,70.

A Petrobras afirmou que permanece acompanhando o mercado e que não tem operações na Venezuela. A Prio não comenta o caso.

O presidente da Brava, Décio Oddone, disse não ver impactos no curto prazo com um eventual aumento da produção venezuelana. A médio e longo prazos, porém, reconhece que uma oferta maior pode ser importante no cenário global, uma vez que, a partir de 2030, os preços estariam mais pressionados frente à necessidade da reposição de reservas.

Oddone explicou que, embora exista hoje excesso de oferta no mundo, para repor reservas em declínio seria necessária a adição de 6 milhões a 8 milhões de barris por ano, um volume muito acima da sobreoferta atual. “O mundo vai precisar de novas fontes. A Venezuela poderia contribuir com mais produção”, salientou.

Em 1990, a Venezuela produzia 2,1 milhões de barris de petróleo por dia e chegou a ultrapassar 3 milhões de barris/dia em 2000. O cenário atual é diferente, com extração de cerca de 1 milhão de barris/dia, volume que hoje o Brasil consegue extrair apenas no campo de Búzios, no pré-sal.

Dados do Energy Institute, “think tank” do Reino Unido, mostram que a produção de óleo da Venezuela recuou de 2,69 milhões de barris/dia em 2014 para 960 mil barris/dia em 2024. Como comparação, o Brasil subiu dos cerca de 2,3 milhões para quase 3,5 milhões de barris/dia no mesmo período.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), disse ter estranhado que a Petrobras perdeu valor porque vai ter concorrência das petroleiras americanas. Para ele, a Venezuela terá que se mostrar atrativa para o retorno dos investimentos. “Esse é um mercado onde se disputa investimentos no mundo inteiro. Se a Venezuela quiser receber investimentos estrangeiros relevantes, inclusive americanos, vai ter que mostrar regime regulatório atraente”, disse Ardenghy.

A visão é compartilhada por José Pio Borges, ex-presidente do BNDES e atual presidente do conselho consultivo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). “Por serem investimentos de longo prazo, com pelo menos quatro a cinco anos para resultados vindos do aumento de produção, o arcabouço jurídico é essencial. Mas não sabemos quem está governando nem se haverá regras estáveis.”

Gustavo Vasquez, responsável pela precificação de petróleo nas Américas da Argus Media, disse que, devido às sanções americanas, a Venezuela não está totalmente integrada aos mercados globais. “Restaurar a infraestrutura de petróleo da Venezuela a algo próximo da antiga capacidade de cerca de 3 milhões de barris por dia consumiria anos e centenas de bilhões de dólares, mesmo no melhor ambiente de investimentos. E reparar refinarias seria ainda mais difícil.”

“O tempo e o dinheiro são (recursos) mais fáceis. A insegurança jurídica é que é mais complexa”, diz Telmo Ghiorzi, presidente da Abespetro, associação das empresas de bens e serviços para o setor.

Na visão de Suzana Kahn, diretora da Coppe/UFRJ, ainda que haja um aumento da oferta venezuelana, o primeiro impacto deve ser uma redução no fornecimento à China, uma vez que os Estados Unidos devem passar a ter o domínio. “Em um mundo com a geopolítica tão dividida, o fato de os Estados Unidos entrarem em cena e começarem a atuar no aumento de produção da Venezuela deve tirar a China da jogada. Os chineses são grandes compradores do petróleo venezuelano. Se Pequim perder esse suprimento, abre-se mais um mercado que pode ser suprido pelo Brasil”, afirmou Kahn. As informações são do jornal Valor Econômico.

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