Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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Eleições 2026 Altas rejeições e eleitor desinteressado mobilizam campanhas e acendem alerta para abstenção

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A tendência de mais um placar apertado, decidido por poucos votos, leva os postulantes que representam a polarização a apelar para que os eleitores marquem presença no dia 4. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Depois de um 2022 com reduzida alienação eleitoral, termo dado para a soma da abstenção com os votos em branco ou nulos, a disputa deste ano faz analistas aventarem a possibilidade de um percentual maior de “não voto”, o que também está no radar das candidaturas na semana final antes do primeiro turno. O cenário é alicerçado em dados como a rejeição acima de 50% a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais candidatos, e na percepção de que a campanha, repleta de escândalos, mobilizou pouco as militâncias e deixou o eleitor extenuado.

A tendência de mais um placar apertado, decidido por poucos votos, leva os postulantes que representam a polarização a apelar para que os eleitores marquem presença no dia 4. Historicamente crítico para Lula por ser forte em bases do petismo, sobretudo entre os mais pobres, o não comparecimento é hoje multifacetado e tem efeitos imprevisíveis, segundo pesquisadores. Dados evidenciam, por exemplo, que Flávio cativa menos o campo da direita do que Lula o da esquerda.

Um fator cada vez mais decisivo é o de idade, dadas as mudanças na pirâmide etária do país. Quase um em cada quatro eleitores tem mais de 60 anos, e Lula registra entre eles, nas pesquisas Quaest e Datafolha recentes, sua maior vantagem contra Flávio. Como o voto é facultativo a partir dos 70, idade em que a abstenção não exige justificativa, o presidente passou a pedir nos últimos dias para que os idosos compareçam às urnas.

— Precisamos convencer as pessoas de 70 anos a votar. Levanta a bunda e vai votar, o Brasil precisa de você — pediu durante carreata em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, na quinta-feira.

Além das declarações nas ruas, o petista gravou vídeo com a influenciadora Ademara, que soma cerca de 700 mil seguidores no Instagram, no qual fez o mesmo clamor pelo voto dos mais velhos. O conteúdo cita que a abstenção entre os brasileiros acima de 70 anos, um em cada dez eleitores aptos, ficou próxima dos 60% em 2022. Outro movimento, este via caneta do governo, foi o anúncio de que o voto na eleição servirá como prova de vida a aposentados e pensionistas do INSS.

Mudança como aposta

Já Flávio quer convencer as pessoas a saírem de casa com base no argumento de que representa a mudança, dizem integrantes da campanha. O discurso foi ensaiado na entrevista à TV Globo, ainda em agosto, e tende a ser martelado nesta semana final, a fim de explorar a alta desaprovação ao governo.

— Foram mais de 32 milhões de pessoas que não foram votar nas eleições de 2022, e ela foi decidida por algo em torno de 2 milhões de votos. É muito importante que você participe se você também quer uma mudança no seu país — pediu o senador na ocasião.

A tentativa de se vender como a mudança dialoga com a onda global de vitórias da oposição, marcante depois da pandemia. O próprio Lula se beneficiou disso em 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro presidente a não conseguir se reeleger desde que a possibilidade foi admitida por uma emenda constitucional em 1997. Flávio pretende estimular o desejo de alternância e transformar isso em comparecimento e voto.

Referência em estudos eleitorais, o cientista político Jairo Nicolau, professor da FGV-CPDOC, avalia que as pesquisas recentes não permitem prever de forma inequívoca que haverá aumento da abstenção e de votos em branco e nulos. Mas, pela percepção que tem da campanha, é o que ele espera.

— Intuitivamente, acredito que haverá um incremento das duas coisas: abstenção e brancos e nulos. Posso estar errado — ressalva. — É claro que, se a eleição ficar mais renhida no segundo turno, o eleitorado ainda apático pode ser convencido a sair de casa.

Indicativos

Historicamente, reforça Rennó, a literatura associa a abstenção a um prejuízo ao PT. Nas últimas eleições, contudo, isso vem mudando, e a conjuntura atual torna difícil cravar quem será mais afetado. A transformação ocorreu na esteira do surgimento do bolsonarismo, que promoveu reconfigurações no perfil do voto no país.

A Quaest tem um dado que faz o diretor do instituto, Felipe Nunes, considerar que Flávio corre o risco de ser prejudicado pelo não voto: apenas 50% dos eleitores que se dizem de direita, mas não bolsonaristas, acham que o filho de Bolsonaro era o melhor nome possível do campo para a disputa. Na esquerda não lulista, 79% avaliam que Lula é a opção ideal.

Na visão do fundador do instituto Ideia e colunista do O Globo Mauricio Moura, há todo um conjunto de dados que permite esperar uma participação reduzida.

— É um ciclo eleitoral de baixo entusiasmo. Os dados que corroboram esse sentimento são as altas rejeições das principais candidaturas, o elevado índice de indecisos na pergunta espontânea de intenção de voto e, ainda relevante, o percentual de eleitores que dizem não ter o voto definido — elenca. — Essa combinação costuma gerar um aumento de abstenção, brancos e nulos. (Com informações do O Globo)

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