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Carlos Roberto Schwartsmann Alunos ricos, medicina pobre!

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Edital foi aberto em 2023, antes de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o tema. (Foto: Freepik)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O cenário da medicina nos próximos anos é desolador e assustador. Nas últimas duas décadas e, principalmente, após o lançamento do Programa Mais Médicos, em 2013, o número de faculdades de medicina triplicou. Parece que hoje são 448!! Somos os campeões mundiais nesta modalidade. Temos mais que os EUA, onde são 143, e que a Alemanha, onde há só 43.

A medicina virou um negócio no Brasil que movimenta R$ 30 bilhões anualmente. Aqui, 90% das escolas são privadas! Nos países nórdicos, na Holanda, na França e na China, não existem faculdades particulares. Todas pertencem ao governo.

No mês de julho, é comum nossa Santa Casa receber doutorandos de outras faculdades para estágio de férias. Isto ocorre em todas as especialidades.

Outro dia percebi que o curso de medicina está muito caro. É altamente seletivo e distorcido. Os cinco alunos que me acompanhavam no ambulatório pagavam, em média, 12 mil reais! Não é qualquer família que dispõe destes recursos para promover a educação dos filhos.

Na prática, isto elimina o acesso à universidade dos alunos de baixa renda. Eles devem disputar as vagas acirradamente nas universidades públicas. Hoje, em algumas faculdades privadas, não existe nem vestibular. Não é necessário nem uma boa formação. É só o dinheiro que interessa.

Outra distorção inconcebível é a despreocupação governamental com a qualidade da formação dos novos doutores. Foram abertas faculdades de medicina em cidades que sequer tem hospital-escola. Não possuem cadáveres, nem microscópio!

Cidades que não têm nem especialistas mas os médicos se disfarçam em professores para complementar o corpo docente esquálido e despreparado. Médicos com formação deficiente vão formar médicos mais deficientes ainda.
É um círculo vicioso que vai influenciar negativamente no atendimento da famigerada saúde do nosso povo.

É incoerente, ilógica e insensata a atitude governamental de abrir novas faculdades de medicina. O governo deveria abrir, sim, novas escolas, mas no ensino básico e fundamental. Ele é vergonhoso e catastrófico. Na última avaliação do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) nos colocamos na 65º posição.

Sem a educação basal, os lucros bilionários dos conglomerados médicos, oriundos principalmente dos alunos ricos, vão deixar, cada vez mais, a pobre medicina cada vez mais pobre.

Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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