Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de fevereiro de 2024
Alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal por supostamente integrar o núcleo jurídico que assessorava e elaborava os decretos de minutas golpistas, o padre José Eduardo de Oliveira e Silva diz não ter entregado a senha de celular por guardar “confidências profundas” de fiéis.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Oliveira e Silva afirma que constantemente é procurado para oferecer “auxílio espiritual” a autoridades, como políticos e desembargadores, e não poderia expor os segredos deles.
“Eu entreguei meus equipamentos sem a senha. Por que fiz isso? Eu recebo pedidos de conselho, orientações, as pessoas se confidenciam, abrem a alma, contam seus dramas mais profundos para mim. Eu não posso expor meus fiéis. Estou resguardado pela lei brasileira e por acordos internacionais”, afirma o padre.
De acordo com as investigações, o celular de Oliveira e Silva se conectou com a estação rádio base (ERB) que abrange a cobertura do Palácio da Alvorada em 19 de novembro de 2022. Na ocasião, ele teria acompanhado o ex-assessor especial para assuntos internacionais do governo, Filipe Martins, que teria se reunido com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) para tratar “da minuta de Golpe de Estado”.
Na representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirma que histórico das ERBs mostrou que o padre esteve em Brasília em diversas oportunidades, entre o fim de novembro e o início de dezembro daquele ano.
As datas e os horários, dizem os investigadores, indicam que Oliveira e Silva pode ter “frequentado reiteradamente a residência utilizada pelo comitê de campanha do então presidente, inclusive no mesmo período, além do Palácio da Alvorada”.
“Graças a Deus, como teólogo e filósofo, muitas pessoas se consultam comigo, do Brasil inteiro: prefeitos, vereadores, deputados, juízes, desembargadores, deputados federais, deputados estaduais, senadores. Eu atendo todas as pessoas que pedem meu auxílio espiritual. Porque essa é a minha missão. Se as pessoas gostam de mim, da minha oração, do meu conselho, é porque elas veem algo diferente”, complementou o padre.
No vídeo de nove minutos, Oliveira e Silva ainda pediu doações e divulgou cursos que vende na internet. Doutor em Teologia Moral pela Universidade da Santa Cruz, em Roma, ele foi ordenado sacerdote da Arquidiocese de Osasco, em 2006. Atualmente, é pároco da Paróquia São Domingos, na mesma cidade.
“Como sacerdote, o sigilo não pode ser violado. Meu sigilo sacerdotal não pode ser violado. Não sei muito bem o que fazer. Mas adianto que existe toda uma proteção. Como sou sacerdote, infelizmente não posso dispor do segredo dos outros. As pessoas que se consultam e se consultaram comigo podem ficar tranquilas”, afirmou, no vídeo. As informações são do jornal O Globo.
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