Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de agosto de 2018
Alvo de um dos 42 mandados de prisão na operação contra milicianos deflagrada nesta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro, Diego Caldeira de Andrada Chaar já tinha chamado a atenção da polícia meses antes, ao ser preso. Aliado de Ecko, apontado como o chefe do maior grupo paramilitar do Estado, Diego ganhou dos colegas o apelido de Alcáida por ter se filiado ao Estado Islâmico. O nome é referência à Al-Qaeda, outro grupo terrorista.
O vínculo com os extremistas fez com que autoridades dos Estados Unidos, onde Alcáida morava com a mãe, o deportassem em 2015. Expulso dos EUA, acabou parando no Brasil.
Segundo a Polícia Civil, ao chegar ao Rio de Janeiro, Alcáida se aliou à milícia da região de Itaguaí. Ele teria ficado responsável por fazer extorsões. É visto como uma pessoa violenta e que intimidava os comerciantes. A mãe de Alcáida, que não saiu dos EUA, manda dinheiro para ele até hoje. Diego havia sido preso em flagrante há cerca de um mês e meio, durante as investigações que deflagraram a operação desta quinta-feira, portando arma de fogo.
Até o começo da tarde, 25 pessoas haviam sido presas – quatro em flagrante. Um subtenente do Exército está entre os detidos. Ele foi preso em Campo Grande com o apoio das Forças Armadas. O militar era considerado o homem forte da quadrilha, mas alegou ser inocente no momento da prisão.
As investigações da Polícia Civil apontam que o grupo de milicianos de Itaguaí constituiu uma franquia da maior milícia do Estado: a Liga da Justiça, que atua na Zona Oeste do Rio. De acordo com o delegado Moises Santana, da 50ª DP (Itaguaí), todos os chefes da milícia de Itaguaí eram subordinados a Ecko, que comanda a milícia na região de Santa Cruz e Campo Grande.
Entre os líderes da milícia da Região Metropolitana do Rio, alvos da operação desta quinta, estão o policial militar Antônio Carlos de Lima, que está na ativa, mas encontra-se afastado por uma licença médica, e o ex-sargento da PM (Polícia Militar) Eduardo Benevides Gomes, expulso da corporação após operação da Polícia Civil contra a milícia de Campo Grande, em 2008. Além deles, também havia o subtenente do Exército, preso na operação desta quinta-feira. Segundo a polícia, o militar do Exército recolhia o dinheiro e repassava para Antônio Carlos.
“O ex-PM e o sargento foram colocados pelo Ecko para serem seus representantes na milícia de Itaguaí. Depois, vieram os outros integrantes”, disse o delegado da 50ª DP.
Invasão de imóveis do Minha Casa Minha Vida
Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo chegou a se apropriar de imóveis do Minha Casa Minha Vida em Itaguaí. De acordo com o delegado Moisés Santana, da 50a DP (Itaguaí), os milicianos entravam nos conjuntos habitacionais, expulsavam os proprietários e colocavam moradores que lhes pagassem taxas.
Os criminosos obrigariam os moradores a adquirir serviços de internet, venda de água e até cestas básicas. Através de relatos e denúncias de extorsões, a polícia afirma que os valores dobrados pela milícia de Itaguaí variavam de acordavam capacidade econômica da vítima. As cobranças variavam de R$ 30 a R$ 1 mil reais. O valor mais alto, de acordo com o delegado Moises Santana, foi cobrado por um serviço de internet a cabo.
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