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Economia Ameaça de paralisação: caminhoneiros dão prazo ao governo para fechar acordo

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Caminhoneiros interromperam paralisação, mas mantiveram estado de greve. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Horas após a assembleia realizada na quinta-feira (19) em Santos, no litoral de São Paulo, decidir contra uma paralisação nacional da categoria e dar prazo de sete dias ao governo federal, entidades ligadas aos caminhoneiros divulgaram notas em apoio à Medida Provisória n.º 1.343/2026, mas alertaram que o estado de greve está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos ainda pendentes da pauta de negociações.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), confirmou que receberá representantes dos caminhoneiros nesta semana, em mais uma etapa das tratativas abertas após a publicação da medida provisória.

Assim, a decisão tomada na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), em Santos, não encerrou o movimento, mas transferiu para a próxima semana uma nova avaliação sobre eventual paralisação.

“Está mantido o estado de greve”, disse José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB). Segundo ele, a maioria dos participantes da assembleia queria parar, mas aceitou aguardar. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, disse.

Em nota divulgada na noite de quinta, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou que a paralisação nacional está, “por enquanto, suspensa” e atribuiu a decisão à publicação da MP nº 1.343/2026. O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, disse que os caminhoneiros agiram com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a greve.

A CNTTL informou que vai negociar com o governo outras pautas, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória. A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também informou, em nota, que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo nesta semana.

A entidade relacionou a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. A suspensão da greve está condicionada ao avanço das negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes.

“Para nós, o piso mínimo (do frete) é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, disse o presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, sobre a medida provisória.

Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP nº 1.343/2026 torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), o que permitirá à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário. O texto prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela.

Em caso de reincidência, a empresa poderá ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso cautelarmente ou a autorização cancelada por até dois anos. O governo também publicou o Decreto n.º 12.883/2026, com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel.

Em Santa Catarina, onde caminhoneiros ligados à Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) tinham anunciado paralisação a partir do meio-dia de quinta-feira, o presidente da entidade, Sérgio Pereira, anunciou no mesmo dia a desmobilização do movimento.

Antes disso, a Justiça Federal proibiu bloqueios nas BRs 101 e 470 e nos acessos ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, com multa de R$ 10 mil por pessoa física e R$ 100 mil por pessoa jurídica em caso de descumprimento. (Com informações do portal Estadão)

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