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Mundo Americanos que ajudaram o brasileiro Carlos Ghosn a escapar do Japão são condenados à prisão

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Ghosn é acusado de fraude financeira enquanto esteve à frente da japonesa Nissan. (Foto: Reprodução)

Os americanos Michael e Peter Taylor, pai e filho, que esconderam o ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, em uma caixa de equipamento de som para ajudá-lo a fugir do Japão, foram condenados à prisão nesta segunda-feira (19). Michael, de 60 anos, foi condenado a dois anos de prisão e seu filho Peter, de 28 anos, a um ano e oito meses.

Ao proferir a sentença, o juiz Hideo Nirei disse que suas ações causaram “danos extremos” ao sistema de justiça japonês e que o tempo na prisão era “inevitável”, de acordo com reportagens da imprensa local. Michael e Peter Taylor aceitaram as acusações e pediram desculpas no tribunal.

Durante uma audiência realizada em junho, em Tóquio, os dois já haviam se declarado culpados

Nascido no Brasil, Ghosn tem cidadania francesa e libanesa. Ele é acusado de fraude financeira enquanto esteve à frente da japonesa Nissan.

Sua fuga espetacular teve um roteiro de cinema e envolveu, além da ajuda de ex-militares de elite, viagem de trem bala, disfarce com chapéu e máscara cirúrgica, num tempo em que a pandemia ainda estava bem no início.

O juiz destacou que a fuga foi um “crime grave” porque a perspectiva de ver Ghosn julgado no Japão algum dia praticamente não existe mais. Ele está em Beirute, no Líbano, desde que escapou das autoridades japonesas.

“Os dois acusados conseguiram com êxito uma fuga ao exterior sem precedentes e tiveram um papel proativo nesta operação”, afirmou o juiz.

Na ocasião, em 2019, Ghosn estava em liberdade condicional sob fiança à espera de um julgamento em Tóquio por suposta fraude financeira e estava proibido de sair do país.

Com Ghosn fora de alcance — já que o Líbano não extradita seus cidadãos — Michael e Peter Taylor se tornaram alvo da Justiça no caso.

O americano Greg Kelly, ex-diretor jurídico da Nissan que foi preso no mesmo dia que seu chefe em novembro de 2018, é atualmente o único no banco dos réus pelo caso, já que a Nissan está sendo julgada como pessoa jurídica. Kelly, 64 anos, pode ser condenado a até dez anos de prisão.

Dinheiro 

Veterano das Forças Especiais do exército americano, os Boinas Verdes, Taylor fundou em 1994 a American International Security Corp, empresa de segurança privada que fornecia proteção para prospecção de petróleo e altos executivos. Chegou a liberar crianças que foram reféns de sequestros.

Foi contratado pelo The New York Times para resgatar um de seus correspondentes no Afeganistão, David Rohde, que fora sequestrado em 2008. E trabalhou camuflado para o FBI.

Taylor foi enviado a Beirute na guerra civil do Líbano, casou-se com uma libanesa e, assim, começou uma relação com a comunidade cristã do país, segundo seus advogados. Ghosn é um membro importante dessa comunidade e sua mulher teria relações de parentesco com a de Taylor.

O juiz Nirei disse, no entanto, Taylor e seu filho foram motivados pelo dinheiro, e não pelas relações distantes de parentesco com a família de Ghosn no Líbano.

De acordo com os investigadores, eles receberam de Ghosn US$ 862,5 mil para preparar a operação e depois o equivalente a US$ 500 mil em bitcoins para pagar os gastos com advogados.

Fuga

Depois de passar mais de um ano no Japão livre sob fiança, Ghosn foi para o aeroporto de Osaka em 29 de dezembro de 2019, de trem-bala. Aparentemente, ele viajou como carga, escondido dentro de uma enorme caixa preta que seria grande demais para passar pelo raio X.

De lá, ele passou para um jato particular que voou para Istambul, onde trocou de avião e foi para Beirute. Chegando em segurança ao país onde passara sua juventude, Ghosn não precisou esconder mais sua identidade.

Para o promotor Ryozo Kitajima, a fuga de Ghosn foi “sistematicamente” planejada ao longo de mais de meio ano e Michael liderava a operação.

O advogado dos Taylors, Keiji Isaji, alega que Ghosn foi o único a agir nos bastidores e fez todo o grande planejamento.

Batalha judicial

Os Taylors estão envolvidos em batalhas judiciais desde que ajudaram Ghosn a escapar. Depois de lutar contra as acusações de extradição, os dois foram detidos nos Estados Unidos em maio de 2020 e extraditados ao Japão em março deste ano para o julgamento.

Ambos foram colocados em confinamento solitário em um centro de detenção e estão participando de audiências no Tribunal Distrital de Tóquio

O crime de abrigar ou permitir a fuga de um criminoso leva uma pena máxima de três anos de prisão no Japão, embora especialistas tenham sugerido que se declarar culpado, mostrar remorso e cooperar com os promotores pode levar a uma sentença mais leve.

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