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Por Redação O Sul | 25 de agosto de 2018
Nada indica que o dólar comercial vá perder no curto prazo o novo patamar de R$ 4, alcançado após uma semana marcada pela publicação de pesquisas de intenções de voto para a eleição presidencial e com um cenário fragilizado no Exterior.
Em cinco dias, a moeda norte-americana acelerou sua alta e acumulou valorização de 4,8%. Foi o maior ganho semanal desde novembro de 2016.
Na última sexta-feira, um certo alívio na aversão a risco no exterior contribuiu para que o dólar quebrasse uma sequência de sete valorizações seguidas e recuasse 0,48%, cotado a R$ 4,104 na venda.
“O horizonte nacional, entretanto, não aponta um cenário de dólar abaixo de R$ 4”, afirma o economista-chefe José Francisco de Lima Gonçalves, do Banco Fator. “Ao menos não enquanto o cenário eleitoral estiver cercado por incertezas e não trouxer uma possibilidade mais clara de que um nome que agrade aos investidores ganhe força nas pesquisas eleitorais.”
A avaliação de muitos analistas de mercado é de que seria necessário um desdobramento político pouco provável para que a cotação do dólar caísse. A moeda norte-americana até pode voltar a R$ 3,50 na hipótese de alguém que o mercado veja como confiável chegar ao segundo turno das eleições, por exemplo.
O economista Rafael Passos, da empresa paulista Guide Investimentos, pondera que o cenário deve ser marcado pela volatilidade, sobretudo até o início da campanha eleitoral na TV, na próxima sexta-feira, último dia de agosto.
“Quando saírem as primeiras pesquisas após o início da propaganda eleitoral, teremos mais claro se o candidato Geraldo Alckmin vai conseguir usar as vantagens que tem do centrão para garimpar votos”, prevê.
A menção ao nome do ex-governador paulista e atual presidenciável tucano não é à toa: a princípio, trata-se do nome preferido pelo mercado, por ser visto como mais reformista. E, apesar do índice de apenas 6% na mais recente pesquisa de intenções de voto do instituto Datafolha para o Palácio do Planalto (na semana passada), ele detém nada menos que 44% do tempo televisivo.
Panorama externo
Além da disputa comercial entre Estados Unidos e China, que ganhou um novo capítulo na última quinta-feira com a imposição bilateral de mais tarifas sobre a importação de produtos, os investidores analisaram um fato adicional.
Trata-se do discurso do presidente do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano), Jerome Powell. Na sexta-feira, ele garantiu que o ritmo gradualista de aumento dos juros nos Estados Unidos será mantido.
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