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Brasil Analistas temem que as “bondades” do governo de Michel Temer piorem a situação das contas públicas

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Temer necessita ter ao menos 172 deputados ao seu lado. (Foto: Divulgação)

A concessão de “bondades” pelo presidente Michel Temer sem que a exigência de contrapartidas em receitas é alvo de críticas por parte de analistas de mercado: ao anunciar medidas econômicas para determinados setores ou conceder benefícios aos governos estaduais em troca de apoio político, por exemplo, o chefe do Executivo estaria tornando ainda mais difícil o cumprimento da meta de déficit primário, fixada em 139 bilhões de reais para este ano.

O risco de que esse rombo aumente ainda não faz parte das contas dos economistas, que acreditam que a equipe liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não descuidará da necessidade de ajuste fiscal. Dado o perfil das pessoas que estão na equipe econômica, um aumento de gastos só deve ocorrer se houver compromisso de aumento da receita.

“O governo tem, por exemplo, um projeto que aprova mais de 8 bilhões de reais em precatórios para a União, abrindo espaço para alguma medida de aumento de gastos”, explicou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal. Segundo ele, o preço dos ativos (títulos, ações, moedas) negociados nos mercados financeiros não consideram o risco de um aumento do déficit primário.

A majoração desse valor será necessária se o governo gastar mais, por exemplo, com o aumento dos benefícios do Bolsa Família e a correção da tabela do IR (Imposto de Renda), sem que haja receita-extra. Leal lembra, ainda, que a revisão do Orçamento é feita bimestralmente, e é nessa ocasião que uma mudança da meta poderia ser feita. Se isso ocorrer, o efeito imediado será o aumento das taxas de juros no mercado futuro.

“Se o déficit ficar maior, isso vai ser mal visto pelo mercado. Uma das consequências vai ser um corte menor nos juros pelo Banco Central. Pode parecer uma boa ideia abrir mão do ajuste fiscal para estimular a economia, mas já fizemos isso no passado e vimos que o efeito colateral é mais duradouro que os benefícios”,m acrescentou.

Os juros estão em queda no mercado futuro porque a inflação está em declínio e deve fechar o ano abaixo do centro da meta, que é de 4,5%. Mas a perspectiva do ajuste fiscal, que garante a solvência do país (ou seja, que o governo terá como arcar com todas as suas despesas a longo prazo) também é um fator que pesa nas expectativas dos investidores de juros menores no futuro, refletindo um menor risco de inadimplência do governo.

Crise política

Enquanto não há confirmação, ou anúncio oficial de medidas de estímulo, que acarretariam aumento de gastos, o foco do mercado segue na crise política. Para Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H. Commcor, a principal preocupação continua sendo uma solução que garanta a aprovação das reformas econômicas no Congresso, que são consideradas essenciais para o ajuste fiscal.

“Não se tem clareza hoje sobre o apoio do Congresso Nacional às reformas, ou se ainda é possível o PSDB deixar a base de apoio. Há também o temor de novas delações. Ainda está todo mundo esperando para ver o que vai acontecer”, finalizou Santos.

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