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Anatel alerta para risco de ficar sem dinheiro para pagar data center

A vigência está prevista até dezembro de 2030. (Foto: Reprodução)

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alertou o governo federal sobre o risco de ficar sem recursos para quitar compromissos financeiros e manter o funcionamento de serviços básicos. Entre as despesas pendentes estão R$ 30,76 milhões referentes à aquisição de seu próprio centro de processamento de dados (data center), localizado em Brasília.

A estrutura tecnológica é responsável por sustentar serviços digitais oferecidos a cidadãos e empresas de telecomunicações, além de sistemas utilizados pela agência em suas atividades de fiscalização. O eventual atraso nos pagamentos pode comprometer a continuidade dos serviços contratados e provocar cobranças adicionais por parte dos fornecedores.

Diante da situação, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, solicitou ao Ministério do Planejamento o desbloqueio de R$ 30 milhões. O pedido foi apresentado após tentativas anteriores de antecipar recursos que não foram atendidas pela Secretaria do Tesouro Nacional, vinculada ao Ministério da Fazenda.

Em dezembro de 2025, a agência havia firmado um contrato de R$ 44,95 milhões com prestadores de serviços e fornecedores de tecnologia. O acordo contempla equipamentos, programas de gerenciamento, conectividade e serviços de implantação, migração, suporte, manutenção e garantia. A vigência está prevista até dezembro de 2030.

Em manifestação encaminhada ao governo, Baigorri afirmou que as projeções financeiras apontam risco de insuficiência de limite para o pagamento integral dos compromissos assumidos, especialmente no último trimestre de 2026.

Os valores pendentes do data center estão classificados como restos a pagar, expressão utilizada na administração pública para identificar despesas de exercícios anteriores que ainda não foram quitadas.

A agência atribui a dificuldade financeira ao bloqueio de R$ 51,83 milhões determinado pelo governo federal em maio. A medida reduziu o orçamento discricionário da Anatel, destinado a despesas de custeio e investimentos, de R$ 275,37 milhões para R$ 223,54 milhões. A redução foi de aproximadamente 19%.

Para se adequar à restrição, a agência afirma que revisou contratos, projetos e despesas. Também informou que procura evitar a incidência de multas, juros e outros encargos decorrentes de atrasos nos pagamentos.

A dificuldade não é recente. Em agosto, a Anatel já havia solicitado a antecipação de R$ 23,3 milhões que estavam previstos para dezembro. A agência informou que as medidas adotadas até agora buscam reduzir os efeitos das limitações orçamentárias, mas advertiu que a manutenção das restrições poderá exigir novas reprogramações de despesas.

O Ministério da Fazenda afirmou que os bloqueios decorrem da necessidade de cumprimento das medidas de contingenciamento do governo federal. Segundo a pasta, a situação fiscal dos órgãos é reavaliada a cada dois meses. A próxima avaliação está prevista para 24 de novembro, quando poderá ser analisada a possibilidade de redução dos cortes.

Paralelamente, cerca de 40 entidades empresariais manifestaram apoio à autonomia financeira das agências reguladoras. O documento apresentado pelas organizações defende que os recursos destinados à fiscalização e à regulação não sejam comprometidos por bloqueios orçamentários.

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