Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de maio de 2017
Em nota divulgada nesse sábado, a APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, do Departamento de Polícia Federal) considerou “inaceitável” que a PGR (Procuradoria-Geral da República) tenha anexado o áudio da conversa mantida entre o presidente Michel Temer e o delator Joesley Batista sem uma perícia técnica feita por peritos federais.
Para a entidade, é “temerária” a homologação de acordos de delação premiada “sem a devida análise pericial”.
Antes de anexar o áudio ao pedido de abertura do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), acolhido pelo ministro Edson Fachin, a PGR submeteu o áudio ao setor técnico do órgão, mas não para uma perícia técnica completa na Polícia Federal.
A associação recomendou “o envio imediato” do áudio e do equipamento usado na gravação para uma perícia completa no INC (Instituto Nacional de Criminalística). “Inaceitável que, tendo à disposição a perícia oficial da União, que possui os melhores especialistas forenses em evidências multimídia do País, não se tenha solicitado a necessária análise técnica no material divulgado, permitindo que um evento de grande importância criminal para o país venha a ser apresentado sem a qualificada comprovação
científica”, diz o comunicado da APCF.
A associação disse que, “ao se ouvir o áudio, percebe-se a presença de eventos acústicos que precisam passar por análise técnica, especializada e aprofundada, sem a qual não é possível emitir qualquer conclusão acerca da autenticidade da gravação”.
Desde que a gravação veio a público, na quinta-feira, surgiram dúvidas sobre a idoneidade do material, pois há sinais perceptíveis de interrupções na conversa.
Um perito apontou que houve “edição” no material. Outro perito, Ricardo Molina, que não fez um laudo sobre o tema, apontou a necessidade de se periciar também o aparelho utilizado na gravação.
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