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Brasil Antes da prisão de Lula, outros quatro ex-presidentes brasileiros já foram parar atrás das grades

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O primeiro foi o gaúcho Hermes da Fonseca, que comandou o País de 1910 a 1914. (Foto: Reprodução)

Antes de Luiz Inácio Lula da Silva ir para a cadeia, no último sábado, a prisão de um ex-presidente da República por crime de corrupção ou lavagem de dinheiro era um acontecimento inédito no Brasil, mesmo que não tenham faltado denúncias. Por outros motivos, no entanto, outros quatro ex-ocupantes do mais alto cargo do País já foram parar atrás das grades.

Hermes da Fonseca 

Oitavo a assumir a Presidência da República (1910-1914), o gaúcho Hermes da Fonseca ficou preso entre julho de 1922 e janeiro de 1923. Ele havia assumido a presidência do Clube Militar em 1921 e se envolveu na campanha pela sucessão do presidente Epitácio Pessoa. Os embates entre o Exército e o governo federal se acirraram na disputa eleitoral e Epitácio ordenou o fechamento do clube e a detenção de Hermes.

O incidente deu início a um levante de tenentes que apoiavam o ex-presidente – em um episódio que ficou conhecido como “18 do Forte de Copacabana”, no Rio de Janeiro. Essa foi a primeira revolta tenentista que agitaria o País ao longo da década de 1920.

Washington Luís

Outro preso foi Washington Luís, logo após ser deposto, em 24 de outubro de 1930, no golpe militar que colocaria o gaúcho Getúlio Vargas no poder. Ele saiu do Palácio do Catete acompanhado do arcebispo do Rio de Janeiro, Sebastião Leme, e foi conduzido até o Forte de Copacabana. Depois de deixar a prisão, exilou-se na Europa e nos Estados Unidos. O retorno ao Brasil ocorreu dois anos depois do fim da ditadura Vargas, em 1945.

Artur Bernardes

Chefe do Executivo entre 1922 e 1926, o mineiro Artur Bernardes também foi preso após apoiar a Revolução Constitucionalista em São Paulo (contra o governo Vargas), em 1932. Ele tentou sublevar a força pública em Minas Gerais mas não recebeu apoio de outros líderes locais. Acabou detido em sua fazenda e enviado para o exílio em Portugal, onde ficou por um ano e meio.

Juscelino Kubitschek

Outro mineiro que viveu dias no cárcere foi o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que havia comandado o País de 1956 a 1961). Opositor do regime militar desde o golpe de 1964, “JK” passou vários períodos fora do País após ter os direitos políticos cassados. Ao voltar para o Brasil, em 1967, foi ameaçado e passou a ser monitorado.

Em dezembro de 1968, enquanto o governo do presidente Costa e Silva anunciava o famigerado Ai-5 (Ato Institucional número 5), Juscelino era paraninfo de uma turma de engenharia que se formava no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ao deixar o prédio, foi preso e levado para um quartel em Niterói, onde permaneceu por 27 dias, até seguir para a prisão domiciliar.

Outros países

Em outros países, são vários os casos de ex-chefes de Estado presos por escândalos. Somente no ano passado, três deles foram parar atrás das grades: Park Geun-hye (Coreia do Sul), Ollanta Humala (Peru) e Ricardo Martinelli (Panamá).

Primeira mulher eleita democraticamente para comandar um país no Extremo Oriente, Park Geun-hye teve uma queda rápida. Ela chegou ao cargo em 2013 como uma das políticas mais populares da Coreia do Sul. Após o seu primeiro ano de governo, atingiu recordes de aprovação e entrou na lista da revista Forbes como uma das mulheres mais influentes do mundo.

Mas em 2016 foi revelado que uma amiga que não ocupava cargo oficial usou a influência da presidente para obter milhões de dólares de empresas do país. Ela foi acusada de abuso de poder, coerção, suborno e vazamento de segredos de Estado. Com a popularidade despencando para 4%, sofreu impeachment no final do ano e foi presa. Poucos dias atrás, recebeu sentença de 24 anos de prisão.

Já o ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli (2009 e 2014) foi preso em junho passado em sua casa em Miami (EUA). Ele é alvo de processos por corrupção e, no início de 2017, a Interpol emitiu ordem de prisão após ele ser denunciado por uso de dinheiro público para espionar ilegalmente mais de 150 pessoas em seu país.

Martinelli foi citado nas investigações da Operação Lava-Jato e a Suprema Corte panamenha apura um superfaturamento de US$ 45 milhões para compra de comida para escolas públicas e contratos superfaturados com a empreiteira Odebrecht. Ele continua preso nos Estados Unidos mas pode ser extraditado.

Ollanta Humala, ex-presidente do Peru, foi outro que deixou o cargo e foi parar na cadeia. Presidente entre 2011 e 2016, ele e sua esposa (a ex-primeira-dama Nadine Heredia) foram presos em julho do ano passado e respondem por lavagem de dinheiro e caixa 2 com a Odebrecht. A construtora teria pago cerca de US$ 3 milhões não declarados para apoiar sua campanha eleitoral.

tags: Brasil

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