Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2026
O ouro sempre teve uma função de proteção e de ativo anticíclico nas carteiras de investimentos. Como diriam os especialistas, é o famoso ativo “Tina” (“There is no alternative”, quando não há outra alternativa, numa tradução livre).
Para alguns, como Maria Irene Jordão, estrategista global da XP, o ouro é aquele produto alternativo que é recomendado que todo investidor tenha em até 5% do seu portfólio, pela sua descorrelação com outros ativos; afinal, o ouro sempre vai na contramão do fluxo de mercado. “Antes, o investidor tinha como opção se refugiar no dólar ou nas Treasuries (títulos do Tesouro americano), mas, diante da incerteza global e do enfraquecimento da moeda americana, o ouro acabou assumindo o papel”, afirma Maria.
Contudo, a estrategista faz a ressalva de que o ouro deve ainda ser visto como elemento de proteção nas carteiras diante de forte volatilidade, e nem sempre com o objetivo de gerar ganho de capital. Por ser uma commodity, ganhar dividendos diretamente também se torna mais complexo, mas não impossível. Para esse fim, o investidor teria de se expor indiretamente, via fundos de índice (ETFs) – que trabalham com opções ou investindo em ações de mineradoras.
Nas últimas semanas, o ouro enfrentou forte volatilidade, chegando a disparar para depois realizar lucros. Os contratos futuros do metal para abril de 2026 indicam que, no seu melhor momento, a commodity chegou a ser negociada a US$ 5.626,80, para depois recuar para próximo de US$ 4.900. Contudo, na semana passada o metal voltou a ser cotado no patamar de US$ 5 mil.
Entre os motivos que fizeram o metal disparar, Thomas Monteiro, analista-chefe do Investing, lembra que o principal foi a incerteza do mercado em relação às escolhas de presidente dos EUA, Donal d Trump, cuja política econômica tem sido vista como errática. “O mercado estava precificando o risco de uma ruptura institucional maior”, destaca.
Contribuiu também o enfraquecimento do dólar como moeda e a perspectiva de que os juros de longo prazo refletiriam uma correlação entre o Tesouro americano e um achatamento do balanço do Federal Reserve (Fed, banco central americano).
No entanto, o cenário se inverteu nos dias seguintes, com a escolha de Kevin Warsh para presidente do Fed, um nome mais alinhado com os princípios de mercado e com a manutenção da autonomia do banco central dos EUA. “Uma escolha tecnicamente sólida, com profundo entendimento dos mecanismos de política monetária e que não representa uma ruptura como o mercado temia”, explica Monteiro.
Com isso, o ouro realizou lucros e voltou a ser negociado abaixo de US$ 5 mil no período. Contudo, para economistas consultados pelo E-Investidor, a commodity ainda tem potencial para alcançar US$ 6 mil no médio e longo prazo.
Para Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o ouro em US$ 6 mil ainda deve ocorrer até o final de 2026, diante da procura do metal pelos bancos centrais do mundo com troca de reserva em vez do dólar. “A queda do metal só ocorreria se essa procura dos bancos centrais globais diminuisse ou se as crises e guerras cessassem”, destaca Cavalcante, que considera isso improvável.
Para Monteiro, do Investing, não há dúvidas de que o ouro deve chegar aos US$ 6 mil por onça, contudo seria precipitado dizer quando e talvez não seja até dezembro de 2026. “Mas não me surpreenderia se o ouro recuperar boa parte dessa queda recente ainda este ano”, diz.
Especialistas consultados pelo E-Investidor citam pelo menos 4 formas para gerar renda de forma indireta com a commodity. O ouro não paga dividendos em si, mas existem estratégias que favorecem a geração de renda passiva. A mais efetiva é investindo em ações de mineradoras de ouro, tanto na Bolsa brasileira quanto no exterior.
Para quem quer ter a comodidade de comprar diretamente da B3, existem os BDRs (recibos de ações) da Aura Minerals, uma mineradora de ouro que é negociada no Brasil e na Nasdaq.
Aura Minerals permite ao investidor ter um ganho de capital robusto de médio e longo prazo, dado que a companhia está em ampla expansão, com projetos em novas minas até 2028. Embora tenha valorizado mais de 300% nos últimos 12 meses, o mercado ainda enxerga espaço para o papel proporcionar ganho de capital.
Por outro lado, um ouro nas máximas também favorece o pagamento de dividendos da companhia – dado que o custo de produção de ouro é relativamente baixo, de US$ 1.500, favorecendo a geração de caixa.
Para quem não se sente confortável de se expor aos riscos de uma empresa mineradora, que carrega endividamento próprio e outros fatores operacionais, existe a alternativa de comprar fundos de índice (ETFs) que tenham certa exposição ao ouro.
Luciana Ikedo, especialista em investimentos, faz uma analogia do uso de ETF ao carnaval: “ETF é ir ao baile, participar da festa, mas dançar perto da porta de saída.” O motivo é que o investidor não fica preso à falta de liquidez de um fundo tradicional, mas consegue investir com facilidade mesmo sem conhecer muito da dinâmica do ouro, pois o ETF vai replicar um desempenho de algum índice.
Especialistas apontam que é possível fazer isso diretamente pela B3, com o AURO11, um ETF da Buena Vista que paga dividendos mensais elevados e pode entregar um dividend yield em 2026 entre 10% e 13%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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