Quarta-feira, 25 de março de 2026
Por Redação O Sul | 24 de março de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de uma nova versão do Mounjaro, medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
A nova apresentação, chamada Mounjaro Multidose, permite que o paciente utilize uma mesma caneta aplicadora para mais de uma dose – diferentemente do modelo tradicional, de uso único.
O que foi aprovado
A autorização consta na Resolução-RE nº 1.041, da Gerência-Geral de Medicamentos da Anvisa. O registro foi concedido à farmacêutica Eli Lilly do Brasil para o medicamento à base de tirzepatida.
A aprovação contempla seis diferentes concentrações do produto, todas em solução injetável de aplicação subcutânea: 4,17 mg/mL; 8,33 mg/mL; 12,5 mg/mL; 16,7 mg/mL; 20,8 mg/mL; 25 mg/mL.
De acordo com o ato, o registro tem validade de 24 meses.
O que muda na prática
A principal mudança está no formato multidose. Na prática, isso significa que uma única caneta poderá ser utilizada em várias aplicações, o que tende a tornar o uso mais conveniente para o paciente.
A tirzepatida atua em hormônios relacionados ao controle da glicose e do apetite – mecanismo que ajuda tanto no controle do diabetes quanto na redução de peso.
Com o registro aprovado, a nova versão multidose está autorizada a ser comercializada no país. A chegada às farmácias, no entanto, ainda depende de etapas como definição de preço e estratégia de lançamento da empresa.
Queda da patente
Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que concede as patentes no Brasil, a Eli Lilly, farmacêutica responsável pelo Mounjaro, tem a patente da tirzepatida até 5 de janeiro de 2036. Porém, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei (PL) para quebrar a patente do Mounjaro. A proposta teve o regime de urgência aprovado em fevereiro e não precisará tramitar por comissões temáticas antes de ser analisada em plenário.
Queda da patente pode baratear o medicamento?
Segundo a médica Eliana Teixeira, pós-graduada em endocrinologia e nutrologia e especialista em emagrecimento, “com a queda da patente, abre-se espaço para a entrada de concorrentes no mercado, o que tende a aumentar a oferta e, consequentemente, pode levar à redução de preços”.
Ela destaca que a diminuição dos preços, no entanto, não é imediata nem garantida. “Depende de fatores como regulação, produção em larga escala, interesse da indústria e aprovação dos órgãos sanitários”, afirma.
Com a chegada de genéricos, o tratamento não deve mudar, mas mais pacientes terão acesso ao medicamento. A médica reforça que é importante que o protocolo seja sempre acompanhado por um médico.
“A queda da patente não altera o fundamento do cuidado, ela amplia possibilidades, mas o sucesso do tratamento ainda depende de uma abordagem global, que inclui acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida”, destaca.
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