Quinta-feira, 26 de março de 2026
Por Redação O Sul | 25 de março de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a atualização da composição das vacinas contra a Covid-19 utilizadas no Brasil. A nova regra estabelece que os imunizantes devem ser monovalentes —direcionados a uma única variante do vírus— e conter obrigatoriamente a cepa LP.8.1 do SARS-CoV-2, mais alinhada ao cenário epidemiológico atual.
A medida, publicada nessa quarta-feira (25) no Diário Oficial da União, segue a estratégia já adotada internacionalmente de revisar periodicamente as vacinas conforme a evolução do coronavírus.
– O que muda com a nova regra? O texto da norma é direto ao estabelecer que “as vacinas contra a Covid-19 a serem comercializadas ou utilizadas no Brasil deverão ser monovalentes e conter, obrigatoriamente, a cepa LP.8.1 do vírus SARS-CoV-2”.
Na prática, isso obriga fabricantes a atualizarem seus registros e processos produtivos, além de impactar a organização das campanhas de vacinação no país. Para evitar interrupções, a Anvisa autorizou um período de transição: vacinas baseadas na cepa anterior, a JN.1, ainda poderão ser utilizadas por até nove meses.
Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esse tipo de atualização já faz parte da lógica de convivência com o vírus.
“A gente trabalha sempre com a vacina mais próxima possível da variante que está circulando, mesmo sabendo que existe um intervalo entre identificar a cepa e produzir o imunizante”, explica.
– Por que as vacinas são atualizadas? O SARS-CoV-2 sofre mutações ao longo do tempo. Algumas dessas mudanças ocorrem na chamada proteína spike – estrutura usada pelo vírus para entrar nas células humanas e principal alvo das vacinas.
Quando essa proteína se modifica, o sistema imunológico pode ter mais dificuldade de reconhecer o vírus com base em versões antigas do imunizante. Isso não significa perda total de proteção, mas pode reduzir a eficácia contra infecções.
Kfouri destaca, porém, que o principal objetivo das vacinas segue preservado: “Mesmo quando a vacina não é perfeitamente coincidente com a variante em circulação, ela continua protegendo muito bem contra as formas graves da doença”, afirma.
– Covid não segue o mesmo padrão da gripe: Uma das diferenças centrais em relação à vacinação contra influenza é a previsibilidade.
Enquanto a gripe tem um padrão sazonal bem definido – o que permite prever com meses de antecedência quais variantes circularão –, a Covid-19 ainda apresenta comportamento irregular.
“A gente não consegue antecipar com seis, oito meses qual variante vai predominar. O vírus não tem uma sazonalidade tão clara, e isso dificulta planejar a vacina com a mesma precisão da gripe”, explica Kfouri.
Segundo ele, isso faz com que as vacinas contra Covid estejam, muitas vezes, ligeiramente defasadas em relação ao vírus em circulação – sem comprometer, no entanto, a proteção contra casos graves.
– Vai ter nova campanha? A atualização da vacina não significa, automaticamente, uma campanha universal como ocorreu nos primeiros anos da pandemia.
Hoje, a estratégia do Programa Nacional de Imunizações é mais focada.
“Não é mais uma vacinação para toda a população. A gente prioriza grupos de maior risco e usa as versões mais atualizadas disponíveis”, diz Kfouri.
Na prática, a nova formulação deve ser incorporada como dose de reforço, especialmente para idosos, pessoas com comorbidades, gestantes, imunossuprimidos e profissionais de saúde —públicos que já vêm sendo priorizados nas campanhas mais recentes.
– Quem já se vacinou precisa tomar a nova? As doses aplicadas até agora continuam relevantes, principalmente na prevenção de hospitalizações e mortes.
A atualização não implica reinício do esquema vacinal, mas pode ser recomendada como reforço – a depender do perfil da pessoa e do intervalo desde a última dose.
– O que muda para a população: Do ponto de vista prático, a mudança deve ser pouco perceptível no dia a dia: o calendário vacinal continua sendo definido pelas autoridades de saúde, mas as doses disponíveis passam a estar mais alinhadas às variantes recentes.
A expectativa é manter a proteção contra formas graves e melhorar a resposta contra infecções causadas pelas novas linhagens do vírus.
A recomendação é acompanhar o calendário oficial e verificar, no posto de saúde, se há indicação de dose de reforço conforme idade, condição de saúde e intervalo desde a última vacina.
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