Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
19°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Anvisa diz que já aprovou vacinação de crianças e falta a audiência pública convocada pelo Ministério da Saúde

Compartilhe esta notícia:

O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, afirmou que, antes da data da aprovação, a agência tinha recebido três ameaças relacionadas ao assunto. (Foto: Mariana Leal/Anvisa)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não participou da audiência pública, convocada pelo governo, sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a covid. A audiência ocorreu nesta terça-feira (4).

Na justificativa para sua ausência na audiência pública, a Anvisa disse que já se manifestou oficialmente sobre a vacina para crianças.

“Esta agência já emitiu seu posicionamento em relação ao tema ‘vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos’, o qual se encontra público e disponibilizado às diversas autoridades médicas, sociedade e a este Douto Ministério da Saúde”, escreveu a Anvisa em documento enviado ao Ministério.

“Por fim, a Anvisa, por seu caráter técnico, visualiza que sua participação na audiência pública não agregaria novos elementos à temática”, completou.

A Anvisa liberou, em dezembro, o uso da vacina para crianças. O governo do presidente Jair Bolsonaro, no entanto, decidiu chamar uma consulta pública e uma audiência para deliberar sobre a vacinação nesse grupo.

A atitude do governo foi vista por especialistas como mais um gesto negacionista contra a vacina, já que consultas públicas não são usuais quando se trata de imunizantes já aprovados e liberados pela vigilância sanitária.

A Anvisa lembrou que a vacina, produzida pelo laboratório Pfizer especificamente para crianças, é segura e eficaz.

“A aprovação da Anvisa veio após uma análise técnica criteriosa de dados e estudos clínicos conduzidos pelo laboratório Pfizer, no qual se atestou que a vacina é segura e eficaz para o público infantil”, explicou a agência.

Apesar de liberada pela Anvisa desde o dia 16 de dezembro, ainda não há data para começar a vacinação das crianças de 5 a 11 anos.

Para especialistas, a demora é grave, ainda mais num momento em que a variante ômicron leva o mundo a registrar recordes diários de novos casos de covid.

Desde o sinal verde da Anvisa, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou diversas vezes que a autorização da agência não é suficiente para iniciar a vacinação.

Em 20 de dezembro, ele disse que a “pressa é inimiga da perfeição” e que o ministério só teria uma posição sobre o tema em 5 de janeiro. Portanto, após a audiência pública.

Maioria

O governo federal anunciou, nesta terça, que a maioria das pessoas que responderam à consulta pública sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19 se opôs à necessidade de receita médica para imunização dessa faixa etária.

O governo também informou que a maioria das pessoas foi contra obrigatoriedade da vacinação nessa faixa etária.

O levantamento, entretanto, não permitia que as pessoas se manifestassem a favor dessa obrigatoriedade, ou seja: não havia uma pergunta que questionasse se as pessoas eram a favor da vacinação obrigatória. As perguntas da consulta já haviam sido bastante criticadas por especialistas.

A pergunta da consulta foi a seguinte: “você concorda com a vacinação em crianças de 5 a 11 anos de forma não compulsória conforme propõe o Ministério da Saúde”?

As respostas foram anunciadas pela secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19, a médica Rosana Leite de Melo, durante a audiência pública realizada pela pasta para discutir o tema.

Audiência

Sociedades médicas e científicas defenderam a vacinação de crianças de 5 a 11 anos na audiência pública desta terça.

O médico Marco Aurélio Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), lembrou que outras doenças, cujas imunizações estão no calendário de vacinação infantil, mataram menos do que a covid-19 em crianças.

“O objetivo da vacinação é prevenir hospitalizações e complicações da doença. É isso que se propuseram as iniciativas dos programas de vacinação: prevenir hospitalizações e mortes”, reforçou.

“Claro que [as vacinas] reduzem transmissão, mas em patamares diferentes”, lembrou. O argumento se refere ao fato de que, mesmo vacinadas, as pessoas ainda podem se infectar com o vírus – mas a ideia das vacinas é que elas não desenvolvam quadros graves da doença nem morram.

Sobre a questão dos eventos adversos, entre eles a miocardite, Sáfadi lembrou que o problema tem risco ainda maior de ser causado pela própria covid-19.

“Mesmo no grupo de adolescentes, meninos, púberes, que registram os maiores casos de miocardite pela vacina, esses números são dezenas de vezes inferiores ao risco de miocardite atribuído à própria Covid-19“, afirmou. “A vacina em adolescentes teve efetividade para prevenir hospitalizações de 93%”.

Além da vacinação, a médica infectologista Rosana Richtmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), defendeu também a não exigência de receita médica para vacinação das crianças.

“Tenho experiência com atividade social, com a população ribeirinha na Amazônia. Como é que você vai vacinar as crianças da Amazônia precisando de prescrição médica? Isso, na minha opinião, vendo o país como um todo, é uma barreira muito grande para a implantação desta vacinação”, opinou.

Indicados pela deputada federal bolsonarista Bia Kicis (PSL), vinculados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, também foram à audiência – e defenderam a não vacinação das crianças usando informações distorcidas ou incorretas.

O representante da comissão Roberto Zerballos, por exemplo, afirmou que a vacina ainda é “emergencial” – mas isto não é verdade. A vacina da Pfizer, que foi a recomendada pela Anvisa para aplicação nas idades de 5 a 11 anos, recebeu aprovação definitiva – e não apenas emergencial – da agência em fevereiro do ano passado.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Neymar promove réveillon de três dias com grande festa
Chips Intel de 12ª para notebooks chegam com promessa de superar Apple M1
Pode te interessar