Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de agosto de 2023
Apresentado oficialmente neste fim de semana por seu novo clube, o Al-Hilal da Arábia Saudita, o atacante brasileiro Neymar se disse impressionado com o estádio lotado de torcedores e um show de drones formando imagens no céu. O evento antecedeu a partida dos donos da casa contra o Al-Fayha (empate de 1 a 1, pelo campeonato nacional) no estádio Rei Fahd, na capital Riad.
“Boa noite, fãs do Hilal. Muito obrigado por essa recepção, por esse desafio. Estou impressionado e muito feliz!”, discursou o brasileiro… em espanhol.
Admirado com os desenhos feitos pelos equipamentos teleguiados, que em determinado momento projetaram o rosto do atacante e a frase “Neymar is blue” (“Neymar é azul, em inglês, uma referência à cor e ao apelido do clube saudita).
Desembarque
Neymar desembarcou no aeroporto de Riad na sexta-feira (18), mesmo dia em que foi convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico interino Fernando Dinz. Ele utilizava um colar com pingente de crucifixo: declaradamente cristão, ele agora tem como local de residência uma nação cuja cultura – principalmente no que se refere à religião – é diferente do Brasil e dos países europeus onde viveu (Espanha e França).
O professor de Geopolítica do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeioro (UFRJ) Fernando Brancoli explica que o jogador até poderá se aproveitar de brechas para organizar festas e consumir de bebidas alcoólicas (formalmente proibidas), por exemplo. Mas deve evitar declarações contundentes a respeito temas religiosos, dentre outros cuidados:
“A gente está falando de um país que tem como base jurídica o Alcorão e algumas normas suplementares. Então, não há uma norma que proíbe, por exemplo, usar algum tipo de utensílio ou item religioso. Mas isso pode variar dependendo do contexto. Dentro de uma mesquita é proibido símbolos que não são islâmicos. A princípio, ele poderia ter problemas em usar esse tipo de cruz em contexto público”.
Diferenças
O professor lembra que templos de outras religiões que não o Islã são proibidos no país, portanto, não haverá templos que Neymar possa frequentar. Ele pondera, no entanto, que figuras de grande prestígio como o jogador estão inseridas em contextos de mudanças nas tradicionais locais, afrouxando regras para na tentativa de remontar sua imagem, principalmente para outros países.
“Se um cidadão normal tivesse problemas maiores por usar um crucifixo muito grande, muito chamativo, o Neymar pode receber um tratamento diferenciado. Mas a expectativa é que ele se comporte de maneira discreta, não faça declarações públicas a respeito da religião”, afirma Brancoli, lembrando que o jogador pode organizar apenas cultos privados.
Brancoli destaca que a postura do jogador é fundamental em um contexto em que atletas como o brasileiro e Cristiano Ronaldo se tornaram “embaixadores” da liga saudita, que tenta mudar a imagem do país — por meio de futebol — para o restante do mundo.
“Diferente do Brasil, em que as leis são mais claras em relação ao que se pode ou não fazer, casos mais polêmicos estarão a critério de um juiz. […] E o islã tem práticas que estão presentes ao longo do dia, como o chamado para a oração, feito cinco vezes ao longo do dia, com o Neymar tendo de se adaptar, porque é um momento em que a cidade para. Além disso, há o mês do Ramadã, em que os muçulmanos fazem um jejum do nascer ao pôr do sol”, lembra o professor.
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