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Brasil O esquema de corrupção no Rio de Janeiro não acabou, disse a procuradora-geral da República ao justificar a prisão do governador daquele Estado

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Raquel Dodge ressaltou que o esquema de corrupção se instalou em diversas unidades públicas do Estado. (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que ainda há “infrações criminosas muito graves” ocorrendo no Rio de Janeiro, ao justificar a prisão do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (MDB), realizada nessa quinta-feira no Palácio Laranjeiras. Além dele, outras oito pessoas foram detidas na operação. batizada de Boca de Lobo e que consiste em um desdobramento da Operação Lava-Jato.

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), há registros documentais do pagamento em espécie a Pezão de mais de R$ 39 milhões no período 2007 e 2015. Raquel explicou que embora as investigações sejam realizadas há algum tempo, as prisões foram necessárias porque crimes como o de organização criminosa e lavagem de dinheiro ainda estão em curso.

“Um dos crimes em curso é o de organização criminosa, que continua atuando, e especialmente a lavagem de dinheiro. A lavagem é o crime que se pratica após a corrupção e que consiste em ocultar onde o dinheiro está. Pelas informações, continua a ser feito”, disse a procuradora-geral.

“O crime de lavagem de dinheiro ainda está em curso”, afirmou, ao justificar a prisão de Pezão às vésperas do fim do mandato dele, que termina em 31 de dezembro. A titular da PGR ressaltou que o crime de lavagem de dinheiro é “igualmente grave” porque, “se o dinheiro desviado pela corrupção continua na posse de quem desviou, o patrimônio publico terá dificuldade em ser recomposto”.

Raquel ressaltou que “o esquema criminoso” que atua no Rio de Janeiro se instalou “em diversas unidades públicas do Estado”. Ela disse ainda que “muitos já estão condenados e presos, mas percebeu-se que este esquema criminoso ainda não cessou”.

“E é por essa razão, os infratores ainda praticarem esse crime, que chegou-se à necessidade de requerer prisão preventiva para a garantida da ordem pública”, disse a procuradora. Segundo a investigação, os valores que teriam sido recebidos por Pezão são “incompatíveis com a renda declarada dele” e “seguem ocultos”. Por isso, a prisão preventiva do governador foi decretada.

O MPF afirma que esses recursos teriam origem em duas fontes principais: a mesada paga pelo delator Carlos Miranda e contratos de serviços públicos com o governo estadual, principalmente na área de transportes.

Sucessão

O procurador regional da República Leonardo Cardoso de Freitas, que atua no Rio de Janeiro, explicou que Pezão sucedeu no esquema de corrupção ao ex-governador Sérgio Cabral, que também está preso:

“Há dois anos, na prisão do Sérgio Cabral, nos perguntaram: ‘E o Pezão?’ Não esquecemos e estamos aqui hoje para responder. O que se verificou é que a organização criminosa do Sérgio Cabral se reinventou com uma sucessão de pessoas. Assim, o Sérgio Cabral foi sucedido por Pezão; Wilson Carlos [ex-secretário de Governo do Cabral] foi sucedido pelo [secretário de Governo] Affonso [Monnerat], também condenado na Calicute, também preso na Furna da Onça e que agora é alvo de um novo mandado. O secretário de Obras também foi sucedido pelo José Iran”.

Sobre a prisão de Pezão a um mês do fim do mandato, Freitas argumentou que os pedidos de prisão foram formulados “no primeiro momento possível” e que o tempo do Judiciário não se pauta pela agenda política.

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