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Eleições 2026 Ao menos 30 candidatos suspeitos de elo com o crime organizado estarão nas urnas

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TREs barraram o registro de 21 postulantes, mas eles ainda podem receber votos até análise de recurso ao TSE. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ao menos 30 candidatos nas eleições deste ano foram questionados pela Procuradoria ou pela Justiça Eleitoral, em diferentes estados, sob suspeita de manter vínculos com o crime organizado.

Dos 30, 21 tiveram os registros de candidatura indeferidos pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Um deles posteriormente conseguiu autorização para concorrer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outros dez candidatos questionados pelo Ministério Público tiveram os registros autorizados por falta de provas consideradas suficientes. A Procuradoria ainda pode recorrer. Dois candidatos renunciaram após os questionamentos.

Os casos seguem um entendimento do TSE estabelecido em 2024, segundo o qual não é necessária condenação criminal em segunda instância para impedir uma candidatura quando houver elementos que indiquem participação em milícia armada. No Rio de Janeiro, o TRE passou a utilizar também o conceito de “milícia de gravata” para casos envolvendo suspeitas de crimes contra a administração pública sem atuação armada.

Entre os candidatos barrados estão Binho Galinha (Avante-BA), acusado de liderar uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho, agiotagem e lavagem de dinheiro; Clébio Jacaré (União-RJ), suspeito de participar de fraudes e cobrança de propina em Itatiaia; e Cristiane do Roberto Jefferson (DC-RJ), investigada por suposto uso de influência política para obtenção de vantagens em contratos.

Também tiveram os registros indeferidos Cristiano Hermógenes (Avante-RJ), apontado como ligado ao Comando Vermelho; Diego Alba (PSDB-RJ), citado em investigação sobre quadrilha armada e suposto contato com a facção; Dinho Dowsley (MDB-PB), acusado de ter sido beneficiado por uma organização criminosa em João Pessoa; e Dr. Hugo (Republicanos-AP), suspeito de ligação com a facção Família Terror do Amapá.

Jamilson Name (PP-MS), condenado em primeira instância por organização criminosa e lavagem de dinheiro, teve inicialmente a candidatura autorizada pelo TRE-MS, mas o ministro Sebastião Reis Júnior, do TSE, posteriormente barrou o registro. Segundo o ministro, a infiltração do crime organizado nas eleições não se limita a grupos armados.

No Rio, também foram barrados João Drumond (PRD), Marcos Muller (Avante), Mariana de Souza (PP), MC Hulk da Selva (DC), Pastor Everaldo (Podemos), Paulo Lomenha (Mobiliza), Paulo Melo (União), Renato Machado (PT), Ricardo Abrão (PSDB), Vaguinho Neguinho (PRD), Val Ceasa (PRD) e Vandro Família (PSDB). As decisões citam diferentes suspeitas, como ligação com facções, milícias, compra de votos, fraudes em licitações e interferência em ações policiais.

Na Paraíba, Vitor Hugo Castelliano (MDB) teve o registro negado sob acusação de ligação com a Tropa do Amigão, associada ao Comando Vermelho no Estado.

Entre os candidatos autorizados a disputar as eleições estão Antonio Rueda (União-RJ), Cícero Lucena (MDB-PB), Filipe Pereira (Podemos-RJ), Jerson Domingos (União-MS), Junior da Lucinha (PSD-RJ), Márcio Canella (União-RJ), Marcos Dias (Podemos-RJ), Ney Santos (Republicanos-SP) e Waguinho (Republicanos-RJ).

Nos casos de Rueda e Canella, os TREs entenderam que não havia indícios de participação direta no crime organizado. Cícero Lucena teve a candidatura autorizada, embora a Procuradoria tenha recorrido. Filipe Pereira conseguiu reverter no TSE o indeferimento decidido inicialmente pelo TRE-RJ. Jerson Domingos, Junior da Lucinha, Marcos Dias, Ney Santos e Waguinho também tiveram os registros mantidos pela Justiça Eleitoral.

As defesas dos candidatos questionados negam as acusações ou afirmam que não há provas suficientes para impedir as candidaturas. Em diversos casos, os advogados também argumentam que investigações ou ações penais sem condenação definitiva não podem, por si só, resultar em impedimento eleitoral.

O primeiro turno das eleições será realizado neste domingo (4). Havendo segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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