Terça-feira, 07 de julho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Ao pedir ao governo dos Estados Unidos que espere passar as eleições para impedir um novo tarifaço ao Brasil, Flávio Bolsonaro dá de bandeja ao petista o discurso de defesa da pátria

Compartilhe esta notícia:

O senador argumentou que a imposição de tarifas fortaleceria as chances eleitorais de Lula.

Foto: GAI Media
O senador argumentou que a imposição de tarifas fortaleceria as chances eleitorais de Lula. (Foto: GAI Media)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem do que se queixar. Seu principal adversário na disputa eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro, não para de dar tiros no próprio pé. O mais recente foi um documento de 86 páginas que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para implorar ao governo americano que suspenda um novo tarifaço contra o Brasil até a definição das eleições, em outubro.

O senador argumentou que a imposição de tarifas fortaleceria as chances eleitorais de Lula, como aconteceu há um ano, quando os Estados Unidos impuseram um tarifaço. O raciocínio é simples: como a família Bolsonaro trabalhou incessantemente para persuadir o governo americano a punir o Brasil em razão da prisão do ex-presidente, qualquer medida tomada por Washington contra o País é automaticamente vista como resultado dessa influência.

Está claro, portanto, que o único objetivo de Flávio com sua carta não é tentar dissuadir o governo americano a desistir das tarifas, e sim evitar que Lula fature politicamente com esse novo ataque ao Brasil.

Trata-se de algo assombroso mesmo para alguém como Flávio, tão subserviente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Poucos dias antes, o senador já havia oferecido a Trump a possibilidade de palpitar abertamente no processo de transição de governo no Brasil caso seja eleito, um evidente absurdo.

Agora, no momento em que o governo brasileiro envia sua defesa contra a ameaça de outro tarifaço dos Estados Unidos, Flávio dobra a aposta e trabalha com afinco para atrapalhar o Brasil em nome de seus projetos políticos.

Flávio Bolsonaro parece muito mal assessorado. Compreende-se a apreensão do senador com os danos eleitorais causados pela imposição de tarifas americanas contra o Brasil, porque não é possível dissociá-las de seu sobrenome. Mas a iniciativa de pedir ao governo americano que espere as eleições para castigar o Brasil mostra que o senador não tem a menor consideração pelo país que pretende governar e que a única razão de sua candidatura é derrotar Lula.

Por tabela, Flávio convidou Trump explicitamente a interferir na eleição brasileira ao vincular a imposição de tarifas ao calendário eleitoral, o que é um verdadeiro atentado à democracia do País. Em troca, o senador ofereceu aos americanos uma “busca agressiva” de acordos comerciais, o que passaria pelo abandono do Mercosul. Prometeu também rever a carga tributária sobre cartões de crédito, dominados por empresas americanas, e zerar as tarifas sobre o etanol americano. É o pacote completo da subserviência.

De bate-pronto, Lula fez bom uso do presentão recebido. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”, publicou o perfil do presidente no X. Para Lula, trata-se de “mais uma atitude de traidores da Pátria”.

Já ficou claro, a esta altura, que Flávio Bolsonaro e a coordenação de sua campanha não sabem o que fazer para reduzir o desgaste causado pela decisão dos Estados Unidos de punir o Brasil com tarifas. Ainda que a atitude americana provavelmente nada tenha a ver com os pleitos dos lobistas bolsonaristas nos Estados Unidos – e é mesmo difícil acreditar que Trump tenha resolvido fazer algo dessa magnitude só porque um Bolsonaro lhe pediu –, será praticamente impossível dissociar o tarifaço dos Bolsonaros. Afinal, é inesquecível o efusivo agradecimento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro a Trump depois que os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros, há um ano.

O efeito disso tudo não é apenas o desgaste de Flávio, de resto um candidato fraquíssimo, que não tem a apresentar nada além de seu sobrenome. É a injeção de oxigênio na campanha de Lula a poucos meses da eleição. Se a ideia dos Bolsonaros é ajudar a reeleger Lula para manter vivo o inimigo que justifica sua existência política, está funcionando. (Opinião/AE)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Passagens aéreas registram aumento de 11,2% no Brasil
Bélgica goleia os Estados Unidos por 4 a 1 e avança às quartas de final
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x