Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de março de 2016
No despacho em que retirou nesta quarta-feira (16) o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz Sérgio Moro justificou a medida afirmando que o sigilo não é mais necessário “a fim de propiciar a ampla defesa e publicidade” e o “saudável escrutínio público”. Segundo ele, essa é a forma como tem decidido “em todos os casos semelhantes da assim denominada Operação Lava-Jato”.
As conversas gravadas pela Polícia Federal incluem diálogo desta quarta com a presidenta Dilma Rousseff, que nomeou Lula como ministro chefe da Casa Civil. Segundo Moro, o “levantamento [do sigilo] propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal”. “A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras.”
“Isso é ainda mais relevante em um cenário de aparentes tentativas de obstrução à justiça, como reconhecido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao decretar a prisão cautelar do senador da República Delcídio do Amaral Gomez, do Partido dos Trabalhadores, e líder do governo no Senado, quando buscava impedir que o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cuñat Cerveró, preso e condenado por este juízo, colaborasse com a Justiça, especificamente com o procurador-geral de Justiça e com o próprio Supremo Tribunal Federal”, escreveu o magistrado. (AG)
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