Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2026
Ao chegar à concentração do desfile da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, na noite de domingo (15), o cantor Ney Matogrosso foi ovacionado pelo público e integrantes da agremiação, segunda a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial do Rio de Janeiro. O artista de 84 anos empolgou-se com a homenagem na Marquês de Sapucaí, enquanto era direcionado ao carro alegórico: “Isso aqui é um palco 10 mil vezes maior!”.
Ele também estava feliz com a fantasia: “Feita só para mim!”. Já no carro alegórico, Ney contou ter participado “dentro do possível” de todo o processo que envolve o desfile. “Eu estive próximo o tempo todo”, salientou. “Acho isso tudo um esplendor, uma riqueza, é muito lindo!”.
Após o desfile, o comentarista global Milton Cunha lembrou da música “Eu quero é botar meu bloco na rua” (composta em 1973 por Sérgio Sampaio e já interpretada por Ney) e a comparou à apresentação da Imperatriz. O homenageado comentou: “Eu falava de uma hipótese”, respondeu Ney. “Agora se concretizou.”
O cantor e performer destacou que está há meses com a “Verde e Branca”. Ele acrescentou: “É um trabalhão louco. Já que eu entrei, eu acho que tenho que ajudar o máximo possível. Eu estou cansado, mas estou feliz”. Em seguida, garantiu que voltará no “Sábado das Campeãs”, caso a Imperatriz Leopoldinense esteja entre as vencedoras.
Desenvolvimento
O enredo “Camaleônico”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, levou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí as múltiplas camadas do cantor (do impacto performático nos tempos de Secos & Molhados à carreira solo marcada por clássicos como “Homem com H” e o disco “Bandido”).
A escolha de Ney como enredo não é só artística, como simbólica. Nascido em Bela Vista (MS), o cantor construiu uma carreira marcada pela ousadia estética, pela androginia assumida e por performances que desafiaram os padrões de masculinidade em plena ditadura militar.
Considerado pela revista “Rolling Stone” a terceira maior voz brasileira de todos os tempos, ele transitou entre gêneros, reinterpretou gigantes como Chico Buarque e Cartola e se consolidou como um dos maiores performers do país.
No desfile “Camaleônico”, a Imperatriz traduziu esse universo plural em cores, texturas e efeitos de iluminação. Referências ao movimento gay power, figurinos ciganos e indígenas, macramê, lantejoulas, pelos e jogos cromáticos devem compor uma narrativa visual que espelha o próprio artista: múltiplo, mutante, provocador.
Além da comissão de frente, outros intérpretes representaram diferentes fases do cantor ao longo da apresentação. A ideia foi mostrar que não existe um único Ney. Existe o homem, o bicho, o poema que afronta o sistema. (com informações de O Globo)
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!