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Ciência Apenas entre 1,5% e 7% do nosso genoma é exclusivamente humano

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Informações digitalizadas podem salvar acervo e servir como material para exposições em realidade virtual. (Foto: UFRJ)

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia revela que apenas de 1,5% a 7% do genoma humano moderno é exclusivamente humano. A descoberta, publicada nesta sexta-feira (16) na revista Science Advances, foi feita a partir da análise de genomas Neandertal, Denisovano e humano.

O estudo fornece ainda evidências de quando ocorreram essas mutações que hoje são exclusivas do genoma humano: elas começaram há 600 mil anos, e, em sua maioria, foram relacionadas ao desenvolvimento do cérebro, do sistema nervoso e de regiões regulatórias, importantes por ser as que regulam boa parte dos genes e provocam mudanças sutis.

A professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo Tábita Hünemeier afirma que o estudo é muito importante por responder a duas dúvidas centrais dos cientistas:

“Sabemos que há genes neandertal e denisovano em todos os não africanos. Mas não sabíamos qual a porcentagem do DNA humano que não veio nem de uma origem comum (Homo Erectus) nem de um cruzamento com essas outras espécies”, afirma. “Agora também sabemos onde ocorreram os cruzamentos com os Sapiens que saíram da Africa: no Oriente Médio com Neandertais, e no Sudeste Asiático, com Denisovanos”, acrescenta a professora.

O estudo também sugere que pelo menos uma onda de Neandertais se misturou com os ancestrais humanos de todos os não-africanos. Além disso, foram encontradas regiões genômicas Neandertais e Denisovanas exclusivas das populações da Ásia meridional.

Os cientistas não conseguiam determinar quais genes do humano moderno foram transmitidos de nossos ancestrais hominídeos e quais são exclusivamente nossos. As novas descobertas foram obtidas com a criação de um algoritmo computacional que quantifica e compara diferenças de um genoma de referência humano para outros genomas:

“São dados novos e ferramentas novas de análise”, explica Michel Naslavsky, professor do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, do Instituto de Biociências da USP. “Nossa espécie Homo Sapiens não tem ancestralidade de espécie única. Já é uma mistura, com introgressão (transferência de genes de uma espécie para outra) e diferenças entre populações”, finaliza ele.

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