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Por Redação O Sul | 9 de março de 2018
Os dados mais recentes do desempenho da indústria automobilística impressionam. Na comparação com o mesmo período do ano passado, no primeiro bimestre a produção cresceu 15% e as vendas internas, 19,5%. Mas a ociosidade, principalmente no segmento de caminhões, ainda preocupa os fabricantes. E, embora os operários não se sintam mais ameaçados pelo desemprego, uma parte deles continua afastada do trabalho.
A recuperação da demanda interna por automóveis e a conquista de novos mercados de exportação, aos poucos começam a preencher uma capacidade calculada para ser usada há quatro anos, quando a crise derrubou as expectativas de crescimento.
Durante a crise, somente metade da capacidade das linhas de automóveis foi ocupada. Este ano a ocupação alcança 61%, segundo anunciou ontem o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale.
O segmento de caminhões deu uma arrancada nesse início de 2018, com crescimento de 47,8% nos volumes de produção acumulados nos dois primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2017. A base de comparação, porém, é baixa. Tanto que as fábricas de caminhões continuam a operar com 70% de ociosidade. A situação já foi pior. Na crise estava em 80%, lembra o presidente da Anfavea.
O crescimento no nível de emprego nas montadoras de veículos não tem acompanhado o da retomada de produção. Dois principais motivos provocam esse descompasso. Muitos dos empregados que foram mantidos afastados durante a crise começam agora a retornar ao trabalho. Além disso, os índices de produtividade nas empresas aumentou.
Os fabricantes de veículos encerraram fevereiro com 111,9 mil empregados, o que representa um aumento de 2,1% em relação ao quadro efetivo há um ano, quando os níveis de produção estavam baixos. Por outro lado, com a recuperação das vendas, as montadoras começam a chamar de volta operários que estavam afastados. Em fevereiro, 300 retornaram às fábricas, segundo Megale.
Mesmo assim, a indústria automobilística ainda não abandonou os programas de afastamento de pessoal. Total de 1,434 mil trabalhadores continuam em dois tipos de programas: “lay-off”, que prevê a suspensão temporária de contrato, e o PSE (Programa Seguro Emprego), que permite a redução da jornada.
As exportações têm puxado boa parte da aceleração do ritmo das linhas de montagem. Com 112,7 mil veículos embarcados e uma receita de US$ 1,91 bilhão no primeiro bimestre, o setor comemora os melhores resultados em exportação dos últimos 10 anos. A Argentina continua a ser o principal destino das vendas externas de veículos, mas novos mercados têm sido agregados, principalmente no segmento de caminhões, que tem vendido para a Rússia, por exemplo.
Já no mercado interno, a retomada deixa o presidente da Anfavea otimista. Segundo ele, a média diária de licenciamentos de veículos no país alcançou 8,6 mil unidades. Isso representa um aumento de 15,7% em relação à média do primeiro bimestre de 2017. “O PIB deve puxar o mercado e espero que os economistas estejam certos”, disse Megale em relação às previsões de alguns especialistas de que o crescimento do Produto Interno Bruto pode superar expectativas.
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