Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 2 de dezembro de 2018
Após muitos apelos da maioria dos líderes do G20 que estiveram reunidos na Argentina para que Estados Unidos e China chegassem a um acordo para superar a guerra comercial, os presidentes dos dois países, Donald Trump e Xi Jinping, acertaram uma trégua. O americano se comprometeu a não elevar mais em janeiro a alíquota de importação sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses de 10% a 25%, enquanto o chinês disse que elevaria a compra de produtos dos EUA.
Os dois se reuniram após reunião da cúpula do G20, no primeiro encontro bilateral desde que o governo americano elevou tarifas sobre mais de US$ 200 bilhões de importações chinesas em julho. A China respondeu também com mais taxação contra produtos vindos dos EUA que somam mais de US$ 100 bilhões.
Ambos concordaram em buscar um acordo comercial mais ambicioso.
E o Brasil?
As estatísticas de comércio exterior brasileiro indicam que o País se beneficiou, inicialmente, com a China aumentando a compra de commodities brasileiras, em especial soja e barris de petróleo.
Mas, se a disputa se prolongar, o temor de economistas é que o aumento das medidas protecionistas nas duas maiores economias do mundo provoque uma nova desaceleração mundial.
Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, cálculos feitos por sua equipe técnica indicam que, fora impactos de curto prazo, os ganhos mais prolongados para o comércio brasileiros no mercado chinês por causa das tarifas sobre concorrentes americanos seria da ordem de US$ 2 bilhões, um valor que não considera “relevante” dentro do total das exportações brasileiras (US$ 169 bilhões no acumulado do ano até outubro).
Os números oficiais mostram que, num momento inicial, as vendas brasileiras para China foram impulsionadas pelo novo contexto tarifário, somando US$ 53 bilhões de janeiro a outubro, uma alta de 29% ante o mesmo período de 2017. O crescimento ficou bem acima da expansão total das exportações brasileiras no mesmo período (8,5%) e do aumento das vendas para os Estados Unidos (7%).
Com isso, quase 27% das vendas brasileiras neste ano foram para a China, nosso maior comprador. Já os EUA, segundo maior destino dos produtos brasileiros, ficaram com 12% das nossas exportações.
As compras chinesas dispararam justamente no segundo semestre, quando foram elevadas as barreiras comerciais entre os dois países. De julho a outubro, as exportações brasileiras para o parceiro asiático subiram 62%.
A adoção de uma taxa de 25% sobre a soja americana pelos chineses abriu espaço para o Brasil, que caminha para fechar o ano com recorde de exportação do produto. Até outubro, as vendas estavam em US$ 24 bilhões, alta de mais de 27% ante 2017.
Já a venda de óleo bruto disparou e soma US$ 11,5 bilhões – 85% acima do acumulado de janeiro a outubro de 2017. Em vez de sobretaxar o produto, a China simplesmente cortou totalmente a compra de barris de petróleo americanos em agosto e setembro. Segundo a imprensa especializada, o país havia importado dos EUA 28 milhões de barris nos dois meses anteriores.
O temor de economistas é que essa disputa entre Estados Unidos e China acabe reduzindo as exportações, causando uma desaceleração global. Os efeitos globais sobre as taxas de câmbio e preços são imprevisíveis.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) reviu em outubro a projeção para o crescimento do PIB mundial tanto em 2018 e em 2019 de 3,9% para 3,7%. No caso do Brasil, a previsão para expansão do PIB caiu de 1,8% para 1,4% neste ano e de 2,5% para 2,4% no próximo.
Segundo a coordenadora de relações internacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) Camila Sande, a cotação da soja já tem recuado neste ano e teme-se que a guerra comercial derrube ainda mais o valor do produto.
Bolsonaro e Trump
Em meio ao conflito com a China, o governo Trump tenta atrair aliados. O conselheiro de Segurança Nacional americano, John Bolton, fez uma escala no Rio de Janeiro antes de chegar a Buenos Aires para visitar na quinta-feira o presidente eleito Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. A relação comercial com a China foi um dos temas da conversa, que incluiu também um convite oficial para encontro com Trump nos Estados Unidos após a posse.
Bolsonaro tem feito constantes elogios aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que acusou a China de estar “comprando” o Brasil com seus investimentos. Essa postura tem levantado preocupação nos exportadores brasileiros, que preferem que o Brasil se mantenha neutro na briga entres os dois países.
“Os chineses não são vilões. Não precisa deixar de ser parceiro da China para ser parceiro dos Estados Unidos”, afirmou o presidente da Câmara Chinesa de Comércio do Brasil, Daniel Manucci. “Guerra comercial não beneficia ninguém. Não é bom para o Brasil se envolver”, concorda Camila Sande, coordenadora de relações internacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
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