Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de maio de 2018
O PT pretende usar a campanha eleitoral deste ano como palco para a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava-Jato, mesmo que isso aumente os riscos de isolamento e outros prejuízos ao partido na disputa ao Palácio do Planalto.
Reunida durante dois dias desta semana em São Paulo, o movimento CNB (Construindo um Novo Brasil) – maior corrente interna da legenda – reiterou que continuará com o líder petista até o fim. Com base nessa postura, decidiu encaminhar ao diretório nacional da sigla uma série de medidas para interditar de uma vez por todas as discussões sobre um “plano B”, ou seja, um outro nome.
As conversas sobre a escolha do vice de Lula ficaram postergadas para o final de julho. Motivo: a avaliação de que até mesmo a escolha do parceiro do ex-presidente em uma eventual chapa pode dar margem a especulações sobre o tal “plano B” que a cúpula PT tanto evita.
Um grupo será criado para coordenar a pré-campanha. Nas próximas semanas, deve ser montado o comitê “Lula presidente” – com direito a sede em São Paulo. O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli será integrado à equipe e as primeiras propostas serão anunciadas assim que forem aprovadas pelo próprio Lula. As disputas internas na CNB foram deixadas de lado, em nome da unidade.
Os três eixos da campanha eleitoral serão a defesa da democracia, incluindo slogans como “Nenhum Direito a Menos” e “Lula Livre”. A ideia é abafar as insinuações sobre uma alternativa ao ex-presidente, que lidera as pesquisas de intenções de voto nos cenários em que o seu nome aparece como candidato.
“Não vai faltar quem nos chamará de isolacionistas ou loucos”, resumiu o ex-ministro Gilberto Carvalho. “Mas vamos até o fim, apostando na reversão deste quadro mesmo sabendo que é difícil. Todas as tratativas vão na contracorrente de quem diz que ele não é candidato.”
Nos dois dias de reunião da CNB, ninguém ousou usar a tribuna para questionar a candidatura do político que comandou o País por dois mandatos consecutivos (2003-2010) e que está preso. Mas, em conversas reservadas, ficou evidente a existência de três posições:
– “Lulistas” radicais, que defendem a candidatura do ex-presidente até o fim e, caso ele seja barrado pela Justiça, o boicote às eleições;
– Moderados (a maioria), para quem o PT deve escolher outro nome somente depois de esgotada a alternativa Lula;
– Os favoráveis à abertura imediata de diálogo sobre os cenários eleitorais sem a participação de Lula.
Carta
Uma carta enviada por Lula à senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, além de um relato do tesoureiro do partido, Emídio de Souza, sobre uma visita feita na quinta-feira ao petista na cadeia, sepultaram as vozes divergentes.
“Se eu aceitar a ideia de não ser candidato em 2018, estarei assumindo que cometi um crime”, disse o ex-presidente na mensagem encaminhada à parlamentar, uma de suas principais interlocutoras na atualidade.
Delúbio
Na quinta-feira, primeiro dia da reunião, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares deixou parte dos presentes emocionada ao fazer uma despedida, afirmando que vai voltar em breve para a prisão. Após cumprir pena pelo mensalão, ele foi condenado na Operação Lava-Jato.
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