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Tecnologia Aplicativos de espionagem digital estão em alta; veja como se proteger

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Estelionatários enviam pedido por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp. (Foto: Reprodução)

Parecia um aplicativo gratuito de calculadora. Mas, na verdade, era um programa malicioso do tipo spyware, que gravava cada tecla que o usuário apertava – o tipo de informação que poderia dar a um stalker (uma pessoa que obsessivamente persegue outra) acesso ilimitado à vida pessoal de qualquer internauta.

O aplicativo descreve a si mesmo como uma ferramenta para monitorar as atividades on-line das pessoas da família, registrando o que cada uma digita. Depois de ser instalado por meio da loja de aplicativos oficial do Google, seu ícone pode ser alterado para ficar igual ao de uma calculadora ou aplicativo de calendário. Em testes, o aplicativo registrou tudo que foi digitado, inclusive pesquisas na internet, mensagens de texto e e-mails.

Esse app faz parte de um grupo de aplicativos em rápida expansão conhecido como “stalkerware”. Embora esses aplicativos fossem centenas há alguns anos, eles se multiplicaram desde então e chegaram aos milhares. Estão amplamente disponíveis na Play Store do Google e, em menor número, na App Store da Apple. E eles se tornaram uma ferramenta tão usada para violência doméstica digital que, no ano passado, a Apple e o Google começaram a reconhecê-los como um problema.

De setembro de 2020 a maio de 2021, o número de dispositivos infectados com stalkerware aumentou 63%, de acordo com um estudo da empresa de segurança NortonLifeLock. Neste mês, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) disse que proibiu um criador de aplicativos, o Support King, de oferecer seu stalkerware que tem acesso à localização, às fotos e mensagens da vítima. Foi a primeira proibição desse tipo.

“É extremamente invasivo, é um problema muito sério e está relacionado a alguns dos piores abusos que já vi em violências cometidas por parceiros íntimos”, disse Eva Galperin, diretora de segurança cibernética da Electronic Frontier Foundation (EFF, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos que visa proteger os direitos digitais, sobre os aplicativos.

O uso de aplicativos usados para monitoramento cibernético, também conhecido como stalkerware, é uma questão espinhosa porque está em uma área em que as regras não estão bem estabelecidas. Há usos interessantes para esses aplicativos de vigilância, como o software de controle parental que monitora o que as crianças fazem na internet para protegê-las de predadores. Mas essa tecnologia se transforma em stalkerware quando é instalada secretamente no celular de um parceiro para espioná-lo sem seu consentimento.

Segundo os pesquisadores, esses aplicativos estão mais presentes em celulares que usam o sistema operacional Android, porque a natureza mais aberta do sistema desenvolvido pelo Google dá aos programas um acesso maior aos dados do dispositivo e permite que as pessoas instalem os aplicativos que quiserem em seus celulares. Mesmo assim, um novo software de monitoramento visando iPhones também surgiu.

O Google disse que proibiu apps que violavam suas políticas. Um porta-voz da Apple encaminhou um guia de segurança que a empresa publicou no ano passado em resposta à ameaça desses aplicativos. Ele acrescentou que os novos apps de monitoramento não eram uma vulnerabilidade para o iPhone que pudesse ser corrigida com tecnologia se um agressor tivesse acesso ao dispositivo e a senha de uma pessoa.

Lutar contra o stalkerware é difícil. Você talvez nem suspeite que ele está em uso. E mesmo se você suspeitar, pode ser difícil de detectá-lo, já que os antivírus só começaram recentemente a sinalizar esses aplicativos como mal-intencionados.

Aqui está um guia do que fazer a respeito.

Como se proteger

A Coalizão contra Stalkerware, projeto organizado por empresas e organizações especializadas em segurança cibernética como a EFF e outros grupos, deram as seguintes dicas:

— Fique de olho se seu dispositivo está se comportando de maneira diferente.
— Faça uma varredura no seu dispositivo.
— Procure ajuda. Além de denunciar o monitoramento às autoridades, você pode buscar aconselhamento jurídico.
— Verifique suas contas online para ver quais aplicativos e dispositivos estão conectados a elas. Deslogue de tudo que parecer suspeito.
— Troque suas senhas e seu código de acesso. Tente criar senhas longas e complexas para cada conta.
— Ative a autenticação de dois fatores.
— Comece do zero. Comprar um novo celular ou apagar todos os dados do seu telefone para usá-lo com as configurações restauradas é a maneira mais eficaz de eliminar um stalkerware de um dispositivo.
— Atualize seu sistema operacional. Certifique-se de que está usando a versão mais recente do software.

No fim, não há uma maneira de fato de derrotar o stalkerware das lojas de aplicativos. Kevin Roundy, pesquisador-chefe da NortonLifeLock, disse que denunciou mais de 800 aplicativos de stalkerware dentro da loja de apps para Android. O Google removeu os aplicativos e atualizou sua política em outubro para proibir os desenvolvedores de oferecer stalkerware. Porém, mais opções surgiram para ocupar o lugar deles.

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