Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de outubro de 2017
A Câmara dos Deputados vive hoje seu maior descolamento da opinião pública em quase duas décadas. A revelação está em levantamento inédito feito pelo projeto Congresso em Números, do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV-Rio, que comparou a taxa média de apoio da Câmara às propostas do Planalto desde 1999 com a taxa de popularidade do governo nas pesquisas CNI/Ibope nesse mesmo período.
Em setembro, 79,6% dos deputados acompanharam as orientações da liderança do governo, enquanto o presidente era avaliado positivamente por meros 3% dos entrevistados pelo Ibope. Na média anual, o apoio parlamentar a Temer está em 78,7%, enquanto a popularidade média patina em 6%.
O apoio parlamentar ao presidente chegou a ser maior em junho passado, após assumir o governo, quando sua orientação era seguida por 84,2% dos deputados, mas na época sua impopularidade ainda não era tão profunda, atingindo 13% de avaliações positivas. Desde então, o apoio parlamentar caiu um pouco, mas a popularidade foi embora de forma acentuada.
Conforme o jornal O Globo, nos 18 anos analisados pela pesquisa é possível notar que, embora de forma menos intensa, esse descompasso entre os parlamentares e a opinião pública ficou muito evidente também nos segundos governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.
Em 2000, FH registra a maior média anual de apoio parlamentar ao governo, com suporte de 88,2% dos deputados, no momento em que 21% da população consideravam seu governo ótimo ou bom.
A partir do primeiro governo Lula (2003-2006), as duas curvas começam a se aproximar e chegarão ao ponto de maior similaridade no final do segundo mandato, em 2010, quando o presidente deixava o governo batendo recordes de popularidade, sendo avaliado positivamente por 77% dos brasileiros e contando com apoio de 81,8% dos parlamentares.
Apesar do gritante descompasso numérico entre a opinião pública e o apoio congressual em quase todo o período, é interessante notar que há momentos em que, mesmo em ritmos diferentes, as curvas de popularidade e apoio parlamentar caminham na mesma direção.
Isso ocorre em todo o governo Lula, que perde apoio popular e parlamentar desde a posse, em 2003, até o fim da crise do mensalão, em 2005, mas volta a recuperá-la com a reeleição em 2006 e entra em uma ascendente culminando com o ápice de popularidade e apoio parlamentar de 2010, que leva à eleição de Dilma.
Acrise na transição do primeiro para o segundo governo Dilma é outro momento em que as curvas caminham no mesmo sentido.
A média de apoio parlamentar do governo sai de 75% em março de 2014 para 67,6% em março de 2016, pouco antes de ser afastada do cargo pelo impeachment, acompanhando a popularidade do governo, que cai de 36% para 10%.
É visível a inflexão ascendente do apoio parlamentar a partir da chegada de Temer ao Planalto, o que não se repete, no entanto, em relação à opinião pública.
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