Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de fevereiro de 2020
Pela primeira vez em quase 50 anos a Boeing encerrou um mês sem nenhum novo pedido, fato registrado em janeiro de 2020. O fato não ocorria desde 1962, época em que a linha de montagem só contava com o 707 em produção e a Boeing ainda trabalhava no projeto do futuro 727. O número de entregas fechou o mês com 10 aviões, dos quais seis 787, dois 777 e dois 767F.
O principal motivo na queda de pedidos e entregas se refere a paralisação do 737 MAX, principal produto da fabricante norte-americana. Com as incertezas de uma data final para retorno das operações, a Boeing optou por paralisar a produção do modelo, afetando seu ritmo de entregas. O mercado também aguarda uma confirmação dos prazos para retomar as análises para novos pedidos, inclusive de empresas que já possuem o 737 MAX encomendados e esperavam já estar adicionando pedidos adicionais.
O chefe da FAA, Steve Dickson, informou que o voo de certificação da aeronave poderá ocorrer nas próximas semanas e afirmou que está satisfeito com os progressos da Boeing na resolução dos problemas.
A Boeing também espera que o primeiro voo do 777-9 permita o mercado voltar sua atenção para o modelo, que promete manter a liderança da família 777 nas vendas de aeronaves de longo curso e grande capacidade. Já o 787 sofre com o desaquecimento do setor, que está crescendo menos do que o esperado, afetando especialmente a faixa de mercado atendido pelo modelo.
South African
Com dívidas bilionária e a urgência de um aporte de 2 bilhões de Rand (US$ 460 milhões), a South African Airways (SAA) iniciou um novo replanejamento de sua malha aérea, cancelando oito destinos internacionais, incluindo São Paulo.
As perdas diárias da SAA de 70 milhões de Rand (US$ 17,2 milhões) tem pressionado o caixa da companhia que luta para manter suas operações. A empresa também anunciou o cancelamento de 150 voos previstos para este mês de fevereiro para reduzir custos. Em janeiro também foram retirados de serviço nove Airbus A340, que foram substituidos pelos A350 XWB.
A partir do dia 29 de fevereiro a SAA irá suspender definitivamente os voos entre Johanesburgo e Luanda, Guangzhou, Hong Kong, Livingston, Luanda, Ndola e São Paulo. A malha internacional ficará restrita, por ora, apenas com Londres, Perth, Nova York, Frankfurt e Washington. Além disso, todos os voos domésticos serão cancelados, exceto os que partem ou tem como destino Cape Town, mas ainda assim de maneira reduzida. A SAA afirma que a Mango, sua companhia low-cost, não sofrerá nenhuma alteração em relação aos seus voos domésticos e regionais. A expectativa é que justamente as operações da empresa de baixo custo consigam manter a conectividade interna, considerada fundamental para sobrevivência da SAA.
Em nota a South African Airways explicou que a decisão foi tomada por conta dos seus problemas financeiros, obrigando criação de um plano de reestruturação que ainda está em elaboração. A SAA enfrenta uma grave crise desde 2011, com agravamento da situação ao longo de 2019, quando a situação se tornou tecnicamente insolvente. No final de outubro, a agência sul-africana de aviação aterrou 25 aeronaves SAA, logo depois, os sindicatos entraram em greve de oito dias.
O governo sul-africano afirmou que poderia obter até 2 bilhões de Rand (US$ 460 milhões) com a venda de propriedades estatais, ampliando as chances de recuperação da SAA. Todavia, o processo de venda de ativos públicos é um processo lento e oneroso, sem certeza de obter os ganhos estimados.
Analistas acreditam que existem poucas chances da SAA encerrar 2020, especialmente com a redução dos voos, que fatalmente levará a uma redução importante de geração de caixa, enquanto as dívidas se acumulam diariamente.