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Política Após a demissão do ministro da Defesa, comandantes das Forças Armadas se reúnem

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O próprio Azevedo, na foto, já havia manifestado que havia desconfortos na relação com o presidente. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O comandante do Exército, Edson Pujol, e os comandantes das outras forças defenderam em reuniões reservadas nesta segunda-feira (29) que as forças armadas devem se manter como forças de Estado e portanto distantes de qualquer governo.

O distanciamento do governo Jair Bolsonaro foi o principal motivo da demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Ele foi demitido por volta das 14h quando Bolsonaro o chamou para uma reunião até o Palácio do Planalto.

Após o encontro, Azevedo falou com os comandantes das três forças,  Edson Pujol (Exército), Antonio Carlos Moretti (Aeronáutica) e Alipio Jorge (Marinha). Azevedo e Pujol também conversaram com o vice-presidente Hamilton Mourão.

O tom geral das conversas é que a despeito dos motivos da demissão, as forças irão se manter como forças de Estado e não irão se atrelar ao governo. Um general disse à CNN Brasil que o vento pode soprar, mas as velas quem iça e quem não iça é quem está com as armas. O discurso foi o da manutenção do viés da força como instituição de Estado.

No final da noite, após um encontro dos três comandantes, o chefe do exército, Edson Pujol, convocou o Alto Comando do exército — o colegiado que reúne 17 generais da ativa — para avaliar uma reação da força. A entrega do cargo era uma possibilidade, mas o mais provável é que ele iria aguardar um encontro com o novo ministro da Defesa, Braga Netto.

A interlocutores, o próprio Azevedo já havia manifestado que havia desconfortos na relação com o presidente, que cobrava dele e das três forças mais acenos políticos.

Novo ministro

“Missão dada é missão cumprida.” O novo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, é considerado por colegas um cumpridor de missões determinadas pelos superiores. E no novo cargo terá um chefe que não aceita hesitação diante de suas ordens: o presidente Jair Bolsonaro.

Um colega resume a forma de atuação: se for preciso sair do ponto A para chegar ao ponto B, ele vai cumprir a ordem, não importa o que tiver de enfrentar pelo caminho. Nas Forças Armadas quem controla a tropa são os coronéis, e eles têm muito respeito pelo general Braga Netto. Um respeito que se assemelha ao que demonstram pelo ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas.

No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Braga Netto foi adido junto à embaixada do Brasil na Polônia, de 2005 a 2007. Em 2009, foi nomeado chefe do Estado-maior do Comando Militar do Oeste. Dois anos depois, assumiu o cargo de adido militar do Exército junto à embaixada brasileira nos Estados Unidos.

O general foi nomeado pelo então presidente Michel Temer, em fevereiro de 2018, para o cargo de interventor federal na Secretaria de Segurança Pública. Não foram raras as vezes em que ele apareceu de surpresa para acompanhar as operações realizadas. Também encontrou espaço para momentos mais descontraídos de confraternização com a equipe.

Já Bolsonaro coloca Braga Netto e o general Heleno, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, na mesma balança das relações. São os dois generais que ele mais ouve hoje no governo.

Em 2020, Braga Neto esteve ao lado da ala político-militar que contrariou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e patrocinou o Pró-Brasil, programa de investimentos em obras que acabou não saindo do papel. O programa foi lançado em solenidade, em abril do ano passado, sem a presença de integrantes da equipe econômica.

A repercussão foi tão grande no mercado financeiro, que Paulo Guedes acabou conseguindo que o governo engavetasse o programa, que, na prática, seria uma porta aberta para a flexibilização do teto de gastos, a regra que limita o crescimento das despesas acima da inflação.

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