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Política Após fuga de Flávio, governadores da direita “viram página” diante de desafios fiscais e de relação com o governo

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Luciano Zucco (PL), eleito no RS, defendeu diálogo com o governo federal diante da crise fiscal do Estado. (Foto: Mateus Raugust/Divulgação)

Após a derrota na disputa presidencial e a ida de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, governadores eleitos que apoiaram o senador buscaram se distanciar dos movimentos de contestação do resultado eleitoral. Levantamento do jornal O Globo mostra que, dos 15 nomes que estiveram ao lado do candidato do PL no segundo turno, 13 reconheceram expressamente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhum deles, porém, endossou a carta em que Flávio questiona, sem apresentar provas, o resultado das urnas.

A postura reflete a disputa por espaço na direita, a formação de alianças regionais e a necessidade de manter relações institucionais com o governo federal. Reeleito em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado para disputar a Presidência em 2030, manifestou divergência em relação à reação de Flávio e defendeu o respeito ao resultado eleitoral.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, sua indignação e revolta, mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) terá de negociar diretamente com Lula questões relacionadas à dívida estadual, superior a R$ 180 bilhões. O orçamento de 2027 prevê déficit de R$ 10,5 bilhões. Embora não tenha comentado o assunto, o governador eleito defende a superação das divergências políticas em nome da pacificação.

Interesses regionais

No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), que recebeu apoio de Flávio, também reconheceu a vitória de Lula e afirmou que pretende manter uma relação produtiva com o governo federal para garantir investimentos em infraestrutura e políticas sociais.

No Sul, governadores eleitos discutem uma agenda conjunta que inclui a recuperação da Malha Sul, a renegociação das dívidas estaduais, a ampliação do crédito ao agronegócio e investimentos em infraestrutura. Luciano Zucco (PL), eleito no Rio Grande do Sul, defendeu diálogo e reciprocidade do governo federal diante das dificuldades fiscais do Estado.

No Paraná, Sergio Moro reconheceu o resultado e afirmou que seu foco será a administração estadual, embora tenha reforçado que continuará na oposição ao governo federal.

No Distrito Federal, Celina Leão (PP), reeleita com apoio de Flávio, também busca manter o diálogo com Lula. A governadora depende de articulação com a União para tentar viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização do Banco de Brasília (BRB), afetado por prejuízos relacionados à frustrada operação de compra do Banco Master.

Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) relatou ter tentado telefonar para Lula para parabenizá-lo pela vitória. O governador defende a continuidade da parceria com a União para projetos como a Rota Bioceânica e obras em rodovias federais. “Eu separo muito a discussão política da administrativa”, afirmou.

Cobrança

Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) reconheceu o resultado e cobrou que o governo federal não discrimine estados administrados por adversários políticos. Para ele, Lula deve construir uma gestão de coalizão, sem retaliações às administrações que não integram sua base.

Já Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Marcos Rogério (PL), de Rondônia, não haviam reconhecido expressamente a vitória de Lula até o momento do levantamento, embora tenham admitido a derrota de Flávio.

Nas redes sociais, Jorginho afirmou que a eleição terminou, mas que ainda existem questionamentos a serem esclarecidos. Também defendeu a pacificação e o respeito às instituições. Marcos Rogério, por sua vez, lamentou a derrota e a frustração dos eleitores de Rondônia, sem declarar expressamente o reconhecimento do resultado.

A movimentação dos governadores evidencia uma tentativa de conciliar o alinhamento político com a direita e a necessidade de manter canais de negociação com o Palácio do Planalto. Para os novos gestores, a articulação com Brasília será fundamental para viabilizar projetos, investimentos e acordos fiscais nos estados. (Com informações do jornal O Globo)

 

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