Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

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Brasil Após o vazamento de mensagens o procurador Deltan Dallagnol deveria deixar voluntariamente o posto, dizem seus colegas

Integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público, que analisam denúncias da conduta do procurador do MPF Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Operação Lava-Jato, estão com ouvidos quentes. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo)

Subprocuradores da República avaliam que, com a série de reveses impostos à Operação Lava-Jato e ao procurador da República Deltan Dallagnol na última quinta-feira (1º), uma ala do Supremo Tribunal Federal emitiu um sinal claro aos órgãos de controle do MPF (Ministério Público Federal) de que, para ela, a situação do coordenador da força-tarefa de Curitiba se tornou insustentável.

Integrantes da cúpula da PGR dizem que, se pudessem dar um conselho a Deltan, seria o de se afastar voluntariamente por um tempo, saindo inclusive do País, para retornar depois.

Esses membros do MPF acreditam que não há mais chance de o procurador escapar de punição no Conselho Nacional do Ministério Público – que já fala em afastá-lo cautelarmente das funções.

Procuradores próximos do grupo de Dallagnol dizem que um afastamento voluntário soaria como confissão de culpa ou admissão de que as mensagens obtidas pelo The Intercept são verdadeiras – gesto que estaria fora do radar da força-tarefa. Mas esse grupo crê na chance de Deltan, neste momento, ceder o protagonismo da operação a outros colegas.

Redução da equipe

As suspeitas de que o procurador Deltan Dallagnol incentivou investigações sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli podem ter impacto na redução de tamanho da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. O grupo tem hoje com 15 procuradores — no auge das investigações, entre 2015 e 2016, eram 11 — e uma equipe que, somada, chega a 70 servidores.

Nada garante, porém, que a equipe continuará robusta. Afinal, as principais descobertas da Lava-Jato de Curitiba já foram reveladas e as mais recentes operações servem como rescaldo, caso da 62ª Fase da Lava-Jato, que mira o empresário Walter Faria, dono da Cervejaria Petrópolis, cuja atuação em lavagem de dinheiro e pagamento de propinas foi revelada na delação da Odebrecht em dezembro de 2016.

Há também pressão das unidades de origem para que os procuradores cedidos retornem aos seus estados. Hoje, três dos 15 procuradores atuam no Paraná: Deltan Dallagnol, Roberson Pozzobon e Laura Tessler. Os demais são de estados como Amazonas, Amapá, Rio, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A força-tarefa tenta acelerar o ritmo da ação. Após um ano considerado morno, em maio, a Lava-Jato já tinha planejadas 14 novas operações para serem realizadas até dezembro, segundo fontes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal com acesso às investigações. Até agora, pelos menos cinco fases foram deflagradas.

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