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Política Após ofensas à ministra Gleisi Hoffmann, Mesa da Câmara pede a suspensão do mandato de deputado federal

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Segundo o documento, Gilvan praticou “condutas incompatíveis com o decoro parlamentar”.

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Segundo o documento, Gilvan praticou “condutas incompatíveis com o decoro parlamentar”. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A Mesa Diretora da Câmara enviou ao Conselho de Ética da Casa uma representação em que pede o afastamento do deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por seis meses. Isso acontece depois de o deputado fazer ofensas à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Segundo o documento, publicado e encabeçado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Gilvan praticou “condutas incompatíveis com o decoro parlamentar” ao fazer “manifestações gravemente ofensivas e difamatórias contra Deputada licenciada para ocupar cargo de Ministra de Estado, em evidente abuso das prerrogativas parlamentares, o que configura comportamento incompatível com a dignidade do mandato”.

Os ataques feitos pelo deputado aconteceram na última terça-feira, durante reunião da Comissão de Segurança Pública em que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, participou. Na ocasião, ele também fez uma referência ao líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que também estava presente na comissão e discutiu com o deputado bolsonarista.

“Na época em que esse ex-presidiário (o presidente Lula) foi preso, eu estava na Polícia Federal, e chovia ataques à PF pelo pessoal do PT. Por exemplo, da (então) senadora Gleisi Hoffmann. Hoje, elogiam a PF porque temos um diretor-geral petista. Na Odebrecht, existia uma planilha de pagamento de propina a políticos. Eu citei aqui o nome Lindinho e Amante, que devia ser uma prostituta do caramba. Teve até deputado que se revoltou. Ou seja, a carapuça serviu”, declarou o parlamentar na sessão.

Uma lista apreendida na Lava-Jato e que reunia apelidos de políticos para controlar supostos repasses indicava que o termo Amante se referia a Gleisi. A hoje ministra foi absolvida em um processo da operação e teve denúncias rejeitadas ou arquivadas em outros casos.

O mesmo deputado disse no início de abril que desejava a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após a repercussão negativa, o parlamentar disse que exagerou ao fazer essa declaração.

Essa é a primeira representação feita ao Conselho de Ética sob as novas regras aprovadas pela Câmara no final do ano passado. Projeto de resolução chancelado pelos deputados dá mais poderes para a cúpula da Casa para fazer representações. As regras atuais aceleram um desfecho sobre os casos contra os parlamentares.

Os pedidos da Mesa terão que ser analisados em um prazo de cinco dias úteis pelo Conselho de Ética. Se não houver decisão nesse prazo, a representação será votada diretamente em plenário na próxima sessão marcada. A bancada feminina do PT divulgou uma nota em que repudia as falas do parlamentar.

“Enquanto se dirige a seus colegas homens com deferência protocolar, ataca a companheira Gleisi com uma fala vil, sexista e criminosa, utilizando termos chulos e inaceitáveis. Tal ato configura não apenas crime contra a honra (Art. 140 do Código Penal), agravado por ser contra figura pública em razão de suas funções (Art. 141, II, CP), mas também representa uma agressão simbólica a todas as mulheres que lutam por participação política e enfrentam diariamente o machismo e a misoginia”.

O primeiro vice-presidente da Câmara, Altineu Cortes (PL-RJ), o segundo vice, Elmar Nascimento (União-BA), o primeiro-secretário, Carlos Veras (PT-PE), o segundo secretário Lula da Fonte (PP-PE), a terceira secretária Delegada Katarina (PSD-SE) e quarto secretário Sergio Souza (MDB-PR) também assinaram a representação contra Gilvan. As informações são do jornal O Globo.

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