Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de julho de 2015
O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, anunciou nesta segunda-feira (06) sua renúncia ao cargo, pouco mais de 12 horas após o encerramento da votação no referendo em que 61% dos eleitores disseram “não” às medidas de austeridade fiscal exigidas pela União Europeia, pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo BCE (Banco Central Europeu) em troca de ajuda financeira ao país. O coordenador da equipe grega nas negociações com os credores e vice-ministro das Relações Exteriores, Euclidis Tsakalotos, foi nomeado para o lugar de Varoufakis.
A substituição de Varoufakis parece ser o primeiro movimento do governo grego no tabuleiro das negociações que reiniciam nesta semana sob tremenda pressão. Sem nova ajuda do BCE (Banco Central Europeu), os bancos gregos podem ver suas reservas, estimadas em 1 bilhão de euros no final da semana passada, evaporarem em poucas horas se as agências bancárias reabrirem nesta terça.
O BCE se reúne nesta segunda-feira para discutir a situação dos bancos gregos. Desde a última segunda-feira (29), os gregos só podem sacar 60 euros por dia nos caixas eletrônicos. Os bancos foram fechados e reabriram apenas para o pagamento de pensões de aposentados, com saques limitados a 120 euros semanais. A saída de Varoufakis deve facilitar a retomada das negociações com os líderes dos demais países que integram a Zona do Euro. De estilo desafiador, Varoufakis ganhou a inimizade dos negociadores alemães. Durante o fim de semana, ele acusou os credores de “terrorismo”.
Varoufakis publicou em seu blog, na manhã desta segunda-feira, que havia tomado conhecimento da “preferência de certos membros do Eurogrupo e parceiros variados” por sua ausência nas negociações. Segundo ele, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, concordou com a ideia de que sua ausência seria potencialmente benéfica para que se chegasse a um acordo.
“Considero meu dever ajudar Alexis Tsipras a explorar, como ele considere melhor, o capital que o povo grego nos concedeu no referendo”, disse Varoufakis. Ele havia anunciado que renunciaria em caso de derrota no plebiscito, mas a saída após uma vitória política contundente causou surpresa. (Folhapress)