Domingo, 04 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Após ser impedida por nazistas, judia de 102 anos completa doutorado

Compartilhe esta notícia:

O reitor da Universidade de Hamburgo dá um diploma a Ingeborg Syllm-Rapoport pelo seu doutorado. (Foto: Bodo Marks/AFP)

Ingeborg Syllm-Rapoport não foi autorizada a defender sua tese de doutorado em 1938 sob o regime nazista porque ela tinha ascendência judaica. Nessa terça-feira, quase oito décadas mais tarde, ela se tornou a pessoa mais velha na Alemanha a já completar um doutorado, aos 102 anos.

A neonatologista, que é especialista em cuidar de recém-nascidos, superou o último obstáculo para conseguir seu diploma no mês passado, fazendo um exame oral. Ela recebeu seu doutorado em uma cerimônia de comemoração da Universidade de Hamburgo.

“Depois de quase 80 anos, foi possível restaurar um pouco de justiça”, afirmou em seu discurso Burkhard Goeke, o diretor médico do hospital da universidade. “Nós não podemos desfazer as injustiças que foram cometidas, mas a nossa visão do passado molda a nossa perspectiva para o futuro.”

Syllm-Rapoport salientou em seu discurso de aceitação que ela fez todo o esforço para conseguir o diploma em sua idade avançada não por si mesma, mas para todos os outros que sofreram injustiça durante o Terceiro Reich.

“Para mim, pessoalmente, o diploma não significa nada, só apoiar o grande objetivo de fazer as pazes com a história. Eu queria ser parte disso”, Syllm-Rapoport disse à estação de televisão pública alemã NDR.

Depois que os nazistas chegaram ao poder na Alemanha em 1933, eles gradualmente marginalizaram judeus, expulsando-os de universidades, escolas e muitas profissões, antes de, eventualmente, deportá-los e matá-los em campos da morte em toda a Europa.

Quando Syllm-Rapoport entregou em sua tese de doutorado, seu supervisor na época, Rudolf Degkwitz, escreveu numa carta em 1938 que ele teria aceitado seu trabalho sobre difteria, se não fosse por leis raciais nazistas que, segundo ele, “tornam impossível permitir a admissão de Miss Syllm para o doutorado.”

Syllm-Rapoport emigrou para os Estados Unidos em 1938 sem um diploma. Depois de se candidatar a várias universidades norte-americanas, ela acabou por terminar a sua licenciatura na Filadélfia e trabalhou como pediatra antes de se mudar com o marido, que era socialista como ela, para Berlim Oriental em 1952. A mãe de quatro filhos foi a primeira chefe do departamento de neonatologia no Hospital Charité, em Berlim.

Questionado sobre como Syllm-Rapoport fez em sua prova oral no mês passado —que era sobre o tema da difteria, assim como sua tese inicial de doutorado– Uwe Koch-Gromus, reitor da universidade da faculdade de medicina, disse: “Ela foi brilhante, e não só para a sua idade.”

“Ficamos impressionados com seu estado de alerta intelectual, e ela nos deixou sem palavras por sua perícia, que se estende também no que diz respeito à medicina moderna”, disse Koch-Gromus.

Quase 80 anos depois que Syllm-Rapoport teve que fugir do terror dos nazistas, ela concluiu seus estudos com a nota geral de “magna cum laude”. (Folhapress)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Marta ataca Dilma e diz que Levy não é “Judas nem Cristo”
Garota de 17 anos vítima de estupro coletivo morre no Piauí
Pode te interessar