Segunda-feira, 27 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de fevereiro de 2019
Sem acordo sobre as regras para a escolha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre encerrou a sessão, nesta sexta (1º), convocando outra para as 11h deste sábado (2). A divergência é sobre a legitimidade do senador para presidir a escolha, já que ele também é candidato. Tumultuada desde o início, a sessão contou com um bate boca entre Renan Calheiros e Tasso Jereissati.
O receio do grupo de Alcolumbre é que, ao deixar o comando da eleição, aliados de Renan Calheiros (MDB-AL) consigam reverter a decisão pela votação secreta e tomem outras medidas sobre o processo eleitoral que favoreçam o alagoano. Já os articuladores de Renan alegam que, ao permanecer no comando, Alcolumbre faz o mesmo jogo: atua para se favorecer.
Tumultuada desde o início, a sessão terminou com protestos de todos os lados. Havia senadores que queriam decidir ainda hoje; outros defendiam amanhã; e um grupo ainda advogava por segunda-feira. O pano de fundo são três regras do jogo consideradas fundamentais pelos dois lados: sigilo do voto, presidência da sessão e turno único ou não.
“Se ele (Alcolumbre) pode fazer tudo isso, vou fazer que nem Juscelino Kubitschek em 1964”, disse Renan, ao fim da sessão.
Antes do início da sessão, Alcolumbre sentou na cadeira e nenhum apelo o fez desistir e sair. Ele alega que tem o direito de presidir a eleição porque é integrante remanescente da última Mesa Diretora. À frente da sessão, recebeu duas questões de ordem sobre o voto secreto, regra prevista no regimento, e transferiu a decisão para o plenário. Por 50 votos a dois, os senadores decidiram que a votação seria aberta.
Derrota para Renan
Alguns senadores admitem a ele, reservadamente, que têm dificuldade de votar nele, no caso de voto aberto. Alegam pressão da opinião pública, em referência aos nove inquéritos no Supremo que investigam Renan.
O receio do grupo de Alcolumbre é que a decisão sobre o voto aberto seja revista, se ele deixar o comando. Isso porque assumiria o senador mais velho da Casa – José Maranhão (MDB-PB), com 85 anos – que é aliado de Renan.
Além dessa questão, outro importante fator ainda não foi decidido pelo plenário e pode ganhar rumos diferentes a depender de quem estiver à frente da sessão. Senadores questionam se a eleição é por maioria simples (ganha quem tiver mais votos) ou absoluta (41 votos).
No cálculos de aliados de Renan, ele tem maioria simples garantida, mas não a absoluta.
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