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Apple eleva em até 29% preços de computadores; iPads chegam a subir 36%

Gigante culpou a inflação dos chips de memória e armazenamento. (Foto: Reprodução)

A Apple subiu os preços de seus computadores e tablets uma semana após Tim Cook, CEO da gigante, afirmar que a inflação de chips de memória exerce grande pressão sobre os valores praticados pela companhia. A nova tabela vale para o mundo todo, inclusive o Brasil, e registra aumentos entre 6% e 29% para os Macs e até 36% para o iPad.

No Brasil, o MacBook Neo, computador de “baixo custo” lançado em março, teve aumento de 16,4% em sua versão mais barata, indo de R$ 7,3 mil para R$ 8,5 mil. Na versão mais cara, ele foi de R$ 8,5 mil para R$ 9,7 mil. Já o iPad Pro com tela de 11 polegadas e 256 GB de armazenamento subiu 36%. O iPhone não sofreu alterações, mas especialistas estimam que isso é uma questão de tempo para que aconteça.

“A indústria de eletrônicos de consumo está enfrentando um desafio sem precedentes. A rápida expansão dos data centers de IA criou um aumento extraordinário na demanda por memória e armazenamento. Nunca vimos o preço de um componente aumentar tanto e tão rápido. Até agora, protegemos nossos clientes desses aumentos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços de vários produtos, incluindo os aumentos de hoje para iPad e Mac. Sabemos que esta não é uma boa notícia e estamos trabalhando incansavelmente para encontrar soluções”, afirmou a empresa em um comunicado.

Custo dos chips

Em uma entrevista ao Wall Street Journal, Cook afirmou que os aumentos eram inevitáveis. “Há menos oferta justamente num momento em que os consumidores querem aparelhos, e os fornecedores de memória estão repassando enormes aumentos de preço”, afirmou ele.

A pressão inflacionária tem origem no boom de inteligência artificial (IA), que aumentou a procura de chips de memória RAM e NAND. Segundo a consultoria TechInsights, os preços dos componentes quadruplicaram no último ano e devem continuar subindo. Conforme publicou o jornal O Globo, fabricantes de PCs instalados no Brasil falaram no começo do ano sobre a dificuldade para encontrar componentes – na época, um deles dizia que iria “faltar notebooks no mercado”.

Neste ano, a Micron, a SK Hynix e a Samsung, três dos maiores fabricantes de memória do mundo, superaram valor de mercado de US$ 1 trilhão, empurrados por aumentos expressivos nas receitas, resultado do apetite de empresas como Meta, Google e Amazon pelos componentes. Na quarta (24), a Micron divulgou seu balançou trimestral com aumento de 80% no lucro. Um estudo do Morgan Stanley publicado neste mês afirma que vai demorar anos para que os fabricantes de componentes consigam atualizar a infraestrutura para alimentar a demanda.

Ações em baixa

O aumento nos preços da Apple derrubou as ações da empresa na quinta-feira (25). Com a abertura do mercado, os papéis registravam queda de 6%. Ainda assim, o analista Dan Ives, da consultoria WedBush, afirma que isso não será um problema para a companhia no longo prazo.

“Embora a Apple seja conhecida por usar seu enorme estoque de memória e armazenamento como vantagem para garantir preços baixos, os atuais aumentos nos preços da memória forçaram a empresa a elevar seus preços; no entanto, acreditamos que a empresa está em uma posição sólida para aumentar os preços sem sacrificar o desempenho do hardware e sem correr o risco de aumentar a fuga de clientes, dado o foco cada vez maior da empresa no consumidor ‘premium’”, escreveu ele em nota.

Novos preços

Confira os principais reajustes:

MacBook Neo: de US$ 599 para US$ 699 (de R$ 3.114 para R$ 3.634);
MacBook Air (512 GB): de US$ 1.099 para US$ 1.299 (de R$ 5.715 para R$ 6.755);
MacBook Pro (1 TB): de US$ 1.699 para US$ 1.999 (de R$ 8.835 para R$ 10.395);
iPad Air (128 GB): de US$ 599 para US$ 749 (de R$ 3.114 para R$ 3.894).

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