Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de abril de 2021
A economia do Brasil poderá ser cerca de 12% menor se a temperatura do mundo aumentar 2,6 graus Celsius até 2050, segundo um estudo do grupo de seguros e resseguros Swiss Re sobre o impacto da mudança climática em 48 países representando 90% da economia mundial.
O Acordo de Paris pretende limitar o aumento médio da temperatura na Terra a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais ou em todo caso abaixo dos 2°C, para evitar os efeitos mais severos das mudanças climáticas.
Mas o estudo de Swiss Re nota que recentes pesquisas científicas indicam que as trajetórias atuais implicariam alta de 2,0 a 2,6 graus C de aquecimento global até a metade do século.
O resultado é que a produção econômica global, pelos efeitos das mudanças climáticas, poderia ser de 11% a 14% menor em comparação com os níveis de crescimento se não houvesse a mudança climática (ou seja, zero grau Celsius de alteração). Significaria uma baixa de US$ 23 trilhões anual no potencial da produção mundial.
Entre 48 países, o Brasil seria o 38º mais afetado. Se o aquecimento global aumentar bem abaixo de 2ºC, a economia brasileira seria 3,7% menor em 2050 comparado a um cenário sem mudança climática. Se a alta ficar em 2ºC, a produção brasileira seria 10,3% inferior na mesma comparação.
Se a temperatura do planeta subir até 2,6 graus, a economia brasileira reduziria 12,8% comparado a -7% nos EUA, -9% no México e -18% na China.
Conforme a Swiss Re, com maior aquecimento global o Brasil “é particularmente propenso a experimentar condições climáticas mais quentes e secas. Durante os dias de verão, o excesso de ondas de calor poderia suprimir o rendimento das culturas e induzir mortalidade e doenças relacionadas à saúde humana. A indústria do turismo seria severamente afetada”.
A avaliação é de que, com gargalos na infraestrutura da saúde e dificuldades em integrar gestão de risco de desastres nos planos de investimentos públicos, a capacidade adaptativa no Brasil está atrasada em relação a países avançados.
O impacto da mudança climática no Brasil é, de toda maneira, menor do que em outros países como Peru, China, Colômbia, Venezuela, Índia.
Os mais vulneráveis entre os 48 países examinados são Filipinas, Malásia e Indonésia. Mesmo no caso de a alta da temperatura global ficar em 2ºC, as economias desses países poderiam ficar 20% abaixo de um cenário sem alteração do clima.
A conclusão é de que não dá para os governos ficarem sem reação. A necessidade de descarbonização das economias é uma urgência. As informações são do jornal Valor Econômico.
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