Domingo, 11 de maio de 2025
Por Redação O Sul | 7 de novembro de 2017
Eis uma pergunta que não fazemos todos os dias: como um dos países mais ricos do mundo prende seus príncipes? A Arábia Saudita nos deu a resposta no último final de semana: em um hotel 5 estrelas.
Os 11 príncipes detidos no expurgo articulado pelo príncipe herdeiro Muhammad bin Salman estão alojados no Ritz-Carlton de Riad. Está entre os detentos o príncipe Alwaleed bin Talal, um dos homens sauditas mais ricos. O Intercept divulgou via Twitter imagens da tal prisão de luxo.
A prisão de príncipes e representantes da elite econômica deixou o país e seus vizinhos arrepiados. Eles são acusados de corrupção e, com sua detenção, a monarquia saudita parece dar um aviso: nem mesmo os poderosos estão acima da lei. A mensagem é especialmente potente porque indica que tipo de país Muhammad bin Salman quer construir quando herdar o trono de seu pai, Salman, hoje com 81 anos. Por outro lado, segundo uma reportagem do jornal “The Guardian”, o luxo da prisão mostra que, “mesmo quando acusados de um crime grave, os poderosos mantêm seus privilégios”.
O “The Guardian” tem também uma detalhada descrição de como os hóspedes do Ritz-Carlton foram acordados às 23h locais no sábado (5) e levados ao lobby, de onde foram transferidos a outros hotéis sem receber explicações. Chegaram a partir da meia-noite os novos inquilinos: príncipes e empresários que, até a véspera, eram dos mais poderosos e até então vistos como intocáveis.
O poder costuma ser pulverizado entre os diversos ramos da família Al Saud. As forças de segurança, por exemplo, são divididas entre esses braços. Caso os príncipes tivessem sido levados à prisão, Muhammad bin Salman poderia ter rompido os laços que permitem a manutenção da monarquia desde a criação da Arábia Saudita em 1932. Não é uma decisão impossível de ser tomada — mas é improvável.
O luxuoso Ritz-Carlton de Riad, que até recentemente tinha quartos disponíveis por cerca de US$ 350 (R$ 1.140), parece estar temporariamente fechado. O site oficial tinha um aviso de que “por razões imprevisíveis, a internet e as linhas de telefone estão desconectadas”.
Prisão
O Comitê anticorrupção da Arábia Saudita decretou no último domingo (5) a prisão de 11 príncipes, quatro ministros e dezenas de ex-ministros.
Entre os presos, estão o príncipe bilionário Alwaleed bin Talal, que possui a empresa de investimentos Kingdom Holding, e o ex-ministro das Finanças saudita, Ibrahim al-Assaf.
O comitê anticorrupção, responsável pelas prisões, foi criado no sábado (4) pelo rei Salm bin Abdul Aziz. Segundo a Efe, o grupo investigará casos de corrupção e terá a capacidade de decretar a prisão dos envolvidos.