Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de junho de 2026
Omar Abdulkadir Artan, principal árbitro da África, teve passaporte diplomático rejeitado e após desembarcar em Miami.
Foto: DivulgaçãoA Fifa parece ter encontrado uma saída para contornar a polêmica sobre o árbitro Omar Abdulkadir Artan, de Somália, impedido de entrar nos Estados Unidos para apitar a Copa do Mundo. Segundo a BBC Sport, a entidade garantiu que o profissional receberá integralmente os valores acertados para quem trabalhasse nos gramados norte-americanos, canadenses e mexicanos.
Melhor árbitro do continente africano, Artan passou 11 horas retido no aeroporto de Miami para entrevista de migração, acabou tendo seu passaporte diplomático rejeitado, o que o impediu de realizar o sonho de apitar na Copa do Mundo da América do Norte. Ele acabou deportado para a Turquia sob justificativa de “ter ligações com terroristas.”
Canadá e México até se solidarizaram com a situação de Omar Artan, mas não conseguiram abrir uma brecha para que o profissional somali trabalhasse em partidas da Copa em seus países pelo fato de todos os árbitros serem obrigados e ficarem “concentrados” nos Estados Unidos.
Omar Artan não tinha ciência de quantos jogos apitaria – depende muito do rendimento de um jogo para o outro -, tampouco quanto receberia da Fifa. A taxa para a arbitragem na Copa do Mundo de 2026 será de pouco mais de R$ 500 mil segundo o jornal inglês Mirror.
O profissional acusou os Estados Unidos de preconceito após sua deportação. “Acho que eles têm um problema com o meu país”, disse. Em sua versão, garantiu ter apresentado toda a documentação necessária para trabalhar nos Estados Unidos. “Estou muito, muito desapontado”, lamentou, na ocasião. Seu sonho é apitar a Copa de 2030, quanto terá 38 anos.
Artan teve recepção calorosa em seu retorno a Somália e já está escalado pela Uefa para apitar a final da Supercopa da Europa, entre Paris Saint-Germain, bicampeão da Liga dos Campeões, e Aston Villa, vencedor da Liga Europa. O duelo abre a temporada europeia em Salzburg, na Áustria, dia 12 de agosto.
Com a palavra
O diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, defendeu publicamente a decisão das autoridades dos Estados Unidos de barrar a entrada do árbitro somali Omar Artan no país. Em entrevista ao programa TalkSport, o governante justificou a medida sob a alegação de que o juiz de futebol manteve contato recente com indivíduos considerados uma ameaça à segurança nacional norte-americana. Durante a declaração, Giuliani afirmou que a administração possui a prerrogativa de impedir o ingresso em território nacional de qualquer cidadão estrangeiro que estabeleça comunicações com pessoas classificadas por ele como “más”.
Apesar da gravidade das afirmações, o funcionário do governo não apresentou provas públicas que sustentem as acusações e tampouco confirmou se existe alguma ligação direta de Artan com organizações terroristas internacionais. O representante da gestão de Donald Trump detalhou que o caso é uma exceção dentro do comitê de arbitragem do torneio mundial, embora tenha evitado aprofundar os detalhes sigilosos da investigação.
“Há algumas coisas sobre as quais não podemos falar. Mas o que posso dizer, analisando a situação, é que ele é o único árbitro, o único oficial não iraniano, que foi proibido de entrar no país para este torneio”, declarou Giuliani.
Ao encerrar o pronunciamento sobre as suspeitas que recaem sobre o profissional de arbitragem da Somália, o diretor sugeriu que os contatos monitorados envolviam planos em solo americano, transferindo os esclarecimentos adicionais para os órgãos de imigração.
“Ele estava conversando com algumas pessoas ruins, muito recentemente, sobre ações aqui nos Estados Unidos. Vou parar por aqui. Sei que a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA) já se pronunciou sobre o assunto”, concluiu.
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