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Mundo Argentina, sob quarentena, ultrapassa a marca de 80 mil mortes por coronavírus

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Nas últimas 24 horas, 26 pessoas morreram devido ao coronavírus na Argentina. (Foto: Reprodução)

A Argentina ultrapassou, nesta sexta-feira (4), o marco de 80 mil mortes provocadas pelo coronavírus, em meio a uma segunda onda da pandemia que tornou o país um dos que hoje apresentam as maiores taxas diárias de óbitos por milhão de habitantes, ou 11,81 — só superada atualmente pelo Suriname (12,18) e o Paraguai (16,2).

Com 45 milhões de habitantes, a Argentina registrou, até agora, um total de 3.915.397 casos e 80.411 mortes. Em termos de mortes totais por milhão de habitantes, o país tem uma taxa de 1.767, ultrapassada nas Américas pela mortalidade no Peru (5.609), no Brasil (2.208), nos Estados Unidos (1.801), na Colômbia (1.775) e no México (1.771), segundo o site Our World in Data, da Universidade de Oxford.

“A intensidade da pandemia pode diminuir no segundo semestre, mas teremos números altos ou intermediários e altos por alguns meses”, disse o infectologista Roberto Debbag.

Embora o sistema de saúde argentino tenha resistido à crise até o momento, a situação é complexa: segundo dados do Ministério da Saúde, a ocupação de leitos de terapia intensiva chega a 77,9%.

Com o aumento dos casos, o governo impôs uma quarentena estrita de nove dias que terminou no último fim de semana, mas o confinamento, que sofreu resistência política e teve baixa adesão, não parece ter apresentado os resultados esperados, já que os casos não diminuíram significativamente. No ano passado, a Argentina impôs uma quarentena de três meses, em março, que conteve a primeira onda, mas a flexibilização das restrições, sob pressão da crise econômica, levou a novos picos da pandemia.

Debbag explicou que a segunda onda começará a diminuir quando houver 30% ou 40% da população vacinada com duas doses, meta que seria alcançada nos próximos dois ou três meses. A vacinação avançou rapidamente nos últimos dias, e 22,5% receberam a primeira dose. Menos de três milhões de pessoas (6,5% da população), porém, foram inoculados com as duas doses.

Produção da Sputnik V

Para acelerar a campanha, o presidente Alberto Fernández anunciou o início da produção na Argentina da vacina russa Sputnik V, em uma conferência virtual com seu homólogo russo, Vladimir Putin. A Argentina foi o primeiro país da América Latina a aprovar, em dezembro passado, a vacina do laboratório russo Gamaleya.

“No próximo domingo [6], um avião partirá para Moscou trazendo o ingrediente ativo para que a produção na Argentina comece imediatamente”, disse Fernández. “Estamos muito satisfeitos com as conquistas que alcançamos com esta vacina, porque milhões de argentinos tiveram suas vidas preservadas.”

A partir de agora, o laboratório privado argentino Richmond será o responsável pela dosagem e embalagem da vacina, com capacidade inicial de produção de 1 milhão de doses mensais, com expectativa de produção de 5 milhões de doses no período de um ano.

Há meses outro laboratório argentino produz o princípio ativo da vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca, que é enviada para ser embalada no México, embora o processo tenha sofrido imprevistos, entre eles a dificuldade de importação de frascos pelos mexicanos, que atrasaram a produção.

Também nesta sexta, a província de Buenos Aires — a maior do país — anunciou a assinatura de um acordo com o laboratório indiano que produz a vacina Covaxin para a compra de 10 milhões de doses.

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