Terça-feira, 02 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de outubro de 2016
Isolamento, melancolia e identidade. Questões de natureza pungente aproximam os povos gaúcho e açoriano. Região homenageada pela 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, o Arquipélago dos Açores guarda um passado e uma cultura cuja familiaridade aos porto-alegrenses transcende os livros de História e atinge o caráter mais subjetivo de um povo. Lá, como cá, há preocupação com a identidade coletiva e a forma como ela diferencia esse povo mais isolado daquele que habita o grande centro (o Sudeste brasileiro aqui, o continente europeu lá).
A melancolia provocada pela insularidade açoriana, sentimento próximo do distanciamento cultural dos gaúchos em relação ao país localizado ao Norte do Rio Mampituba, convida à reflexão sobre seu lugar no mundo. Essa perspectiva, aliada a um isolamento forçado — geográfico para açorianos, cultural para os gaúchos —, cria uma visão de mundo que será celebrada na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Oito escritores açorianos integram a programação especial do evento e apresentam para o público gaúcho as tradicionais e as novas questões da literatura açoriana. Nuno Costa Santos, Madalena San-Bento, Urbano Bettencourt, Joel Neto, Vasco Pereira da Costa, Eduíno de Jesus, Francisco Cota Fagundes e Paula de Sousa Lima trazem consigo, além das histórias de sujeitos que emigraram e partiram para o mundo, o vigor da literatura açoriana. Autores que situam a moderna escrita do arquipélago num lugar de dinamismo e contemporaneidade, compromissado com as questões do sujeito e da literatura atual.
Diferentes editoras da Região mostrarão, ainda, o melhor da literatura açoriana que inclui alguns dos mais importantes nomes da cultura portuguesa, como Antero de Quental, Vitorino Nemésio e Natália Correia, entre outros. E diferentes momentos musicais, de dança e mostras, que decorrerão ao longo dos dias, trarão à 62ª Feira do Livro de Porto Alegre um pouco mais de outras dimensões da rica cultura açoriana.
Os comentários estão desativados.