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Colunistas Arrendamento imobiliário com opção de compra: vale a pena para conquistar a casa própria?

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Há modelos de arrendamento em que você mora no imóvel por um período e, se quiser, pode comprar depois

Foto: Divulgação
Há modelos de arrendamento em que você mora no imóvel por um período e, se quiser, pode comprar depois. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Quando você ouve “arrendamento”, é normal pensar naquele sentido antigo de “ceder o uso” de algo por um tempo. No campo, isso lembra o dono da terra que deixa o agricultor plantar e recebe uma parte do resultado. Na cidade, a ideia-base é parecida: alguém usa um bem que é de outro e paga por isso. Mas, no mercado imobiliário, a conversa muda quando entra uma palavrinha que virou tema do momento: opção de compra.

Em português bem direto: há modelos em que você mora no imóvel por um período e, se quiser, pode comprar depois — e, em alguns contratos, parte do que foi pago ao longo do tempo pode ser abatida do preço final. Isso aparece em formatos diferentes: desde uma locação com cláusula de opção de compra (um contrato “sob medida”) até operações parecidas com leasing (arrendamento mercantil), que têm regras próprias. O leasing, por exemplo, é regulado como arrendamento mercantil e não é “só um aluguel com promessa”, embora na prática muita gente misture as coisas.

Onde isso fica mais comum? Em especial quando instituições financeiras lidam com imóveis retomados e buscam alternativas ao leilão. O Banco Central tem norma sobre arrendamento imobiliário especial com opção de compra para bancos em certas condições, e há decisões judiciais lembrando que a adesão é uma faculdade, não uma obrigação automática do banco.

Aí vem a pergunta que interessa ao leitor: é a melhor opção para comprar a casa própria? Depende — e a resposta fica mais clara se você olhar para três pontos que quase nunca aparecem nos vídeos curtos.

Primeiro: preço e regra do abatimento. Não existe “cashback obrigatório” universal. O contrato precisa dizer com todas as letras quanto do que você paga vira abatimento, em que condições, e o que acontece se você desistir de comprar. Se o aluguel estiver acima do mercado “para compensar o abatimento”, você pode estar pagando caro pela esperança.

Segundo: o preço futuro está amarrado ou flutuando? Se o valor de compra não estiver bem definido (ou a fórmula de reajuste for agressiva), você corre o risco de “testar a casa” e, na hora H, descobrir que ficou mais distante — não mais perto — de comprar.

Terceiro: você terá capacidade real de compra no final do prazo? Essa é a parte que ninguém quer ouvir. Se hoje você já não consegue comprar aquele imóvel, pergunte com honestidade: o que vai mudar em 12, 24 ou 36 meses para você conseguir? Renda, entrada, crédito, estabilidade. Se nada disso tem um plano concreto, você pode estar fazendo um esforço para se manter num padrão que depois não vai conseguir bancar.

E “o que tem de novo nisso tudo”? Muita coisa é antiga — o mercado só redescobriu a embalagem. O que realmente muda o cenário recente é que a Reforma Tributária começou a desenhar novas regras para o setor. IBS e CBS são os novos tributos criados para substituir gradualmente vários impostos sobre consumo e simplificar a cobrança. Na prática, isso muda como locação e arrendamento podem ser tributados, o que afeta preço, contrato e planejamento.

Em termos práticos, essa mudança pode mexer no preço, mas não de forma igual para todo mundo. Para o inquilino que aluga um apê “normal” de um proprietário pessoa física com um ou dois imóveis, a tendência é de baixo impacto direto, porque o próprio desenho das regras mira quem explora locação em maior escala. Já para quem tem vários imóveis alugados, administra carteira grande, trabalha com curta temporada de forma profissional ou soma uma receita alta de aluguéis, o novo sistema pode criar custo e obrigação extra, e aí o mercado costuma tentar repassar para o valor final. Em outras palavras: não é que “vai ficar tudo mais caro”, mas existe sim um cenário em que o aluguel pode subir justamente onde a locação vira negócio em escala, e não apenas renda complementar.

No fim, arrendamento com opção de compra pode ser uma boa ponte quando ele é usado como ponte de verdade: contrato transparente, preço futuro previsível, abatimento claro e um plano real para financiar ou comprar. Sem isso, vira só um aluguel mais caro com uma promessa bonita.

Se o objetivo é casa própria, a pergunta final não é “é tendência?” — é: esse contrato está te aproximando da compra ou só te mantendo no mesmo lugar, pagando mais?

* Tamara Rosenblum, pesquisadora na área de finanças e aposentadoria

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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