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Brasil Lula manifestou a aliados sua irritação com a participação de dirigentes petistas numa reunião com integrantes do PSOL para a discussão de um programa de governo para o País

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Ex-presidente afirma que "só o tempo" vai revelar o motivo da colaboração premiada do empresário. (Foto: Divulgação)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a aliados irritação com a participação de dirigentes petistas em uma reunião com integrantes do PSOL e de movimentos de esquerda para discussão de um programa de governo para o País.

Lula soube apenas na terça-feira (20), e pela imprensa, que um grupo de petistas, dirigentes do PSOL e representantes de movimentos de esquerda tinham se reunido no domingo (18) para traçar uma estratégia para a oposição.

Ainda segundo petistas, Lula ficou particularmente contrariado com o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). Na segunda-feira (19), Lindbergh participou de uma reunião com Lula na sede do partido em São Paulo, mas não fez qualquer menção ao encontro da véspera.

Realizada a convite do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), de Guilherme Boulos, e da Frente Povo Sem Medo, a reunião contou com a participação do ex-ministro da Justiça Tarso Genro e de Vicente Trevas, assessor do Planalto no governo Lula.

O secretário de Formação do PT, Carlos Henrique Árabe, e o deputado estadual João Paulo Rillo foram à reunião. O deputado federal Ivan Valente (SP) e o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ) eram representantes do PSOL à mesa.

Para integrantes da cúpula petista aí está o embrião de um novo partido. Dirigentes petistas chegaram a chamar seus colegas que foram ao encontro de desonestos. Ministro dos governos Lula e Dilma, Gilberto Carvalho minimizou. “Quanto mais conversas, melhor. Agora, a história de criar um partido a partir desta conversa, sinceramente, não acredito”, disse.

A movimentação de Boulos também surpreendeu petistas. Eles chamam a reunião de inoportuna por ocorrer num momento em que se espera uma decisão do juiz Sérgio Moro sobre a ação penal do caso triplex, em que Lula é acusado de receber propina da empreiteira OAS por meio da posse de um apartamento em Guarujá.

Segundo participantes da reunião de domingo, está em discussão um “programa mais à esquerda”, que vá “além” dos governos petistas. A reforma do sistema tributário, uma auditoria do sistema da dívida e o controle da mídia são propostas em debate.

Para petistas, a discussão de um programa de governo à revelia de Lula colide com o discurso de que não existe um plano B para a esquerda. A ideia de elaboração de um plano de governo em conjunto com movimentos de esquerda já foi rechaçada por Lula.

No dia 2 de junho, o ex-presidente contrariou a esquerda ao pregar pragmatismo durante discurso de abertura do congresso do partido em Brasília. Lula afirmou que é necessário saber se as promessas são “exequíveis”. (Folhapress)

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