Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de dezembro de 2019
Naquele ano, o governo de Lestijärvi decidiu combater a diminuição das taxas de natalidade e a perda de população da cidade, onde apenas uma criança tinha nascido no ano anterior.
O município introduziu um incentivo chamado “baby bonus”: qualquer residente que der à luz tem direito a 10 mil euros, a serem pagos ao longo de dez anos.
Funcionou: desde então, quase 60 crianças nasceram no município, o que é mais que as 38 crianças que nasceram nos sete anos anteriores. Esses nascimentos representam um grande impulso para a vila de menos de 800 habitantes.
Os empresários do setor agrícola Jukka-Pekka Tuikka, 50, e sua esposa, Janika, 48, são beneficiários de um “baby bonus”. A segunda filha deles, Janette, nasceu em 2013, a tempo de ganhar o apelido de “a garota de 10 mil euros”.
“Estávamos planejando um segundo filho havia algum tempo e estávamos ficando mais velhos”, explica Tuikka. “Então não posso dizer que o dinheiro realmente influenciou nossa decisão de ter um bebê.”
Mesmo assim, Tuikka afirma acreditar que o incentivo é uma medida importante que demonstra que os líderes locais estão interessados em ajudar as famílias.
Tuikka economizou a maior parte dos 6 mil euros (R$ 27,8 mil) que sua família recebeu até agora e planeja usá-lo de uma maneira que beneficie todos eles no futuro.
Um desafio para o país
Agora, vários municípios finlandeses também introduziram “baby bonus”, variando de 200 a 10 mil euros (R$ 927 a R$ 46,3 mil).
No entanto, apesar desses incentivos locais, a taxa de natalidade nacional da Finlândia não vai bem.
Como em muitos outros países europeus, a taxa de natalidade finlandesa diminuiu significativamente na última década: em 2018, atingiu um recorde mínimo de 1,4 filho por mulher, comparada a uma taxa de reposição (número necessário para que a população permaneça no mesmo) de 2,1.
Dez anos antes, a taxa de natalidade era de 1,85.
A Finlândia tem muitos programas para famílias, incluindo o mundialmente famoso kit básico para bebês, um benefício mensal para crianças de cerca de 100 euros (R$ 463) por criança e uma licença de paternidade compartilhada que dura até nove meses com 70% do salário pago.
A professora de ciências sociais da Universidade de Tampere Ritva Nätkin aponta que, embora a Finlândia gaste mais dinheiro público em benefícios familiares do que a média da União Europeia, as políticas nessa área ficam para trás de outros países nórdicos, como a Suécia, que tem uma licença paternidade mais generosa.
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