Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de maio de 2019
Desde a última terça-feira (30), quando o presidente interino Juan Guaidó foi às ruas convocar civis e militares contra o regime de Nicolás Maduro, a Venezuela vive momentos de violência e tensão. Diante disso, o governo brasileiro tomou medidas para lidar com a crise do país vizinho: acolher os venezuelanos que cruzam a fronteira, autorizar o asilo a militares que desertaram das Forças Armadas maduristas e acenar seu apoio ao oposicionista Guaidó na “transição democrática que se processa”. As informações são da revista Época.
Apoio a Guaidó
O presidente Jair Bolsonaro se manifestou repetidamente sobre o caso na terça-feira. Pelas redes sociais, ele disse acompanhar com atenção a situação e reafirmou “seu apoio na transição democrática que se processa no país vizinho”. Declarou ainda que o Brasil “está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos”. Bolsonaro ainda criticou as posturas diplomáticas dos anos de governo do PT, dizendo que o partido apoiava o “ditador” Nicolás Maduro.
Para tratar do assunto, Bolsonaro se reuniu na manhã desta quarta-feira (1°) com ministros e comandantes das Forças Armadas na sede do Ministério da Defesa. À imprensa, afirmou que não “derrota” na tentativa de terça-feira de depor Maduro. “informe que temos é que existe uma fissura sim, que cada vez mais se aproxima da cúpula das Forças Armadas. Então, existe a possibilidade de o governo ruir pelo fato de alguns da cúpula passarem para outro lado”, afirmou.
Liberação de crédito extraordinário
Na terça-feira, o governo anunciou a liberação de um crédito suplementar de quase R$ 224 milhões para a chamada “Operação Acolhida”, que auxilia os venezuelanos que chegam ao país por conta da crise humanitária na Venezuela. De acordo com o documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia Paulo Guedes, o dinheiro será utilizado na “assistência emergencial e acolhimento humanitário dos venezuelanos”.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou que o governo pretende acelerar o processo de internalização dos venezuelanos que chegam ao Brasil. Segundo Silva, a ideia é acolhê-los e evitar que os imigrantes fiquem concentrados na fronteira entre os dois países, em Pacaraima, em Roraima.
Embaixada brasileira acolheu militares
Segundo informou a jornalista Miriam Leitão na terça-feira, em sua coluna no jornal O Globo, o governo brasileiro recebeu pedido de asilo de 25 militares venezuelanos. O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rego Barros, confirmou a informação. Segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o asilo. Entre os militares que desertaram das Forças Armadas de Maduro há de soldados a tenentes – nenhum oficial de alta patente.
Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, no entanto, que os militares não conseguiram chegar à embaixada brasileira em Caracas. “Não conseguiram entrar na embaixada, porque como temos visto na Venezuela, por parte da ditadura do Maduro, existem cordões de isolamento para que não cheguem na embaixada com facilidade”, disse.
Guerra?
Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltaram a discordar na terça-feira. Pelo Twitter, Maia respondeu ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que havia escrito na mesma rede social que “qualquer hipótese” sobre o papel do Brasil diante da crise na Venezuela “será decidida EXCLUSIVAMENTE pelo Presidente da República, ouvindo o Conselho de Defesa Nacional”. Maia lembrou ao presidente que cabe ao Congresso Nacional autorizar a declaração de guerra a outro país.
Maia foi procurado pelo filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, que teria esclarecido a declaração do pai. “Recebi mensagem do senador esclarecendo que a postagem do presidente Bolsonaro em sua conta no Twitter, ontem, sobre a crise na Venezuela não tratava da possibilidade de declaração de guerra. Isso nos tranquiliza, porque é uma postura de respeito ao Parlamento”, tuitou Maia.
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