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As pedras do Maciste

(Foto: Reprodução)

Umas das “jóias”  mais preciosas de  “gafes“ ou erros cinematográficos  mundialmente conhecido na história  foi do  filme   “Maciste, O  Colosso da Arena”, uma produção italiana  dos anos 1960.

Na cena, o gladiador Maciste ergue  uma grande rocha com  esforço  tremendo. A pedra é atirada num desfiladeiro e  cai  na cabeça  de um soldado romano.

Ao bater no capacete do soldado a enorme pedra pula para cima , igual pipoca estourando  na panela.

A cena foi  protagonizada pelo ator e halterofilista Mark Forest e  entrou para a história como uma das “gafes” mais escrachadas do cinema mundial.

Nos filmes e séries da TV os enredos e  argumentos  procuram seguir uma coerência, uma lógica, isto é  chamado de  verossimilhança.

Quando a ficção exagera e ultrapassa a barreira do razoável, exacerbando em algo  fora dos limites , apesar de ser só um filme,  perde o realismo e vira chacota.

No passado havia uma expressão que denominava isso como uma  “pilhada”.

(Diferente da “pilha” de hoje.)

  O repertório de gírias se expandiu com sentidos  semelhantes:

Caó, migué, papo furado e ainda o tradicional:

No atual momento político institucional, estamos envolvidos em uma “forçação de barra” e um mar de contradições.

 Querem  nos fazer acreditar que as  pedras que o  Maciste lança sobre os soldados são de verdade.

Existe uma gigantesca desconexão  entre  as narrativas e ilações  em contraponto com o que conhecemos e entendemos como a lógica e realidade.

Na política internacional, declarações de incentivo ao multilateralismo entre as nações foram  ditas   pelo Presidente da República.

Na prática, durante o discurso do Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu na ONU, a comitiva brasileira se retirou.

De lambuja  fomos chamados de covardes morais.

Por aqui, no ambiente doméstico, ambos lados da política, fazem ilações e lançam desconfianças de algum “mal feito” em desfavor  do adversário.

As  respostas já estão engatilhadas:

Se as suspeitas  forem aos  candidatos do lado oposto , os acusados  já estão de antemão condenados !

Em véspera de eleições, nada pode ser mais oportuno que acusar o oponente!

Se for verdade ninguém vai  investigar e se for mentira,  passa por verdade.

São as estratégias.

Lembro-me que no centro de Porto Alegre, havia um ladrão que roubava transeuntes e saía correndo  gritando :

A verdadeira vítima ia atrás gritando também, mas o ladrão tinha para si espaços livres e abertos para correr.

Voltando…

 Suspeitos não são investigados por falta de comprovações.

Mas, para comprovar algo é preciso investigar!

  Ou ainda , as provas são verdadeiras, porém foram  obtidas fora do rito processual.

E o ladrão é perdoado  recebe o dinheiro de volta, contradições e casuísmos correndo soltas campo à fora!

  Investigar sim , mas só quem  me  investigou ,  como ousou   investigar  sem a minha autorização!?

 Tudo em nome da democracia!

Neste ponto, faltariam  pedras  para o Maciste!

Há uma expressão que diz :

Brasileiro morre de tudo, menos de tédio.

Sim ! É  verdade.

 Não precisamos mais de ficção,

a realidade brasileira tem todos os gêneros:

 Temos drama,  policial, pornografia, terror , suspense, comédias , ficção muita ficção.

Contudo , é preciso estômago forte  para acompanhar cenas explícitas de cinismo e desfaçatez.

 Particularmente, acredito em um “Deep State” nadando de braçadas por aqui .

Ahhhh!!

 Um  detalhe importantíssimo!!

As pedras do Maciste  precisavam ser de mentirinha, pois eram só um passatempo sem maior importância.

 Entretanto, em  04  de Outubro  escolheremos o novo  filme, será a oportunidade do espectador participar.

 Quem pensa em só assistir  imaginando que os resultados  irão atingir somente aos outros…

As  pedras do Maciste  no filme  antigo eram de isopor,  mas as  que poderão vir a cair sobre nossas cabeças são verdadeiras.

 Sem nossas ações concretas, continuaremos telespectadores das sessões  pastelão nos Três Poderes, e ainda pior, reprisadas por nossa própria omissão.

Rogério Pons da Silva 

 

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