Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 6 de outubro de 2018
Nada provocou mais polêmica nessas eleições do que o atentado a faca contra o líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), em Juiz de Fora (MG).
O caso polarizou ainda mais a campanha, que se tornou um confronto entre um candidato que levou uma facada e outro que está na cadeia — o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, impedido de concorrer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e substituído por Fernando Haddad (PT).
Em um ambiente tão emotivo e com programas de governo propositadamente evasivos, sobrou pouco espaço para discussões aprofundadas. Ainda assim, alguns assuntos provocaram vai e vem nos comitês dos candidatos.
O mais controverso foi a proposta de Paulo Guedes, guru econômico de Bolsonaro, de criar um imposto sobre transações financeiras aos moldes da extinta CPMF.
Revelado por Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, o caso levou Bolsonaro e seus assessores a uma corrida para conter o estrago e afastou Guedes de eventos públicos.
Os candidatos a vice-presidente também deram trabalho aos cabeças de chapa, particularmente o general Hamilton Mourão. Vice de Bolsonaro, Mourão criticou o 13º salário, propôs uma assembleia de “notáveis” para fazer nova Constituição e disse que famílias chefiadas por mães e avós são “fábricas de desajustados”.
Fernando Haddad foi outro que teve que se explicar por causa das declarações de correligionários. Condenado no mensalão e no petrolão, o ex-ministro José Dirceu disse que era “uma questão de tempo para o PT tomar o poder, o que é diferente de ganhar as eleições”.
Entre os próprios candidatos, o mais polêmico foi Ciro Gomes (PDT), já fiel ao seu estilo.
Começou a campanha eleitoral prometendo à população endividada “tirar seu nome do SPC”, o que lhe valeu nas redes sociais a alcunha de “pai Ciro”, em referência aos pais de santo do candomblé.
CPMF
Em uma reunião restrita com investidores, o economista Paulo Guedes, que deve comandar o Ministério da Fazenda caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito, disse que vai recriar um imposto nos moldes da CPMF, que incide sobre transações financeiras. Quando a Folha noticiou a proposta, Bolsonaro e seus aliados tiveram que explicar que sua meta é reduzir a carga tributária. Guedes cancelou participação em uma série de eventos, mas Bolsonaro afirmou que ele “continua firme” na campanha.
Mulheres
Em evento em São Paulo, Mourão afirmou que famílias chefiadas por mães e avós são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico.
Aliados de Bolsonaro pediram a Mourão para reduzir a agenda pública. O general diria mais tarde que fez uma “constatação” e que a imprensa “pega no seu pé”.
Décimo terceiro
Em palestra em Uruguaiana, o general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, disse que o 13° salário é uma “jabuticaba brasileira” e uma “mochila nas costas dos empresários”.
Assim que a notícia foi publicada, Bolsonaro o desautorizou pelas redes sociais, dizendo que criticar o 13º é uma “ofensa a quem trabalha” e uma prova de “desconhecimento da Constituição”. Na semana seguinte, Mourão voltou a carga e disse que o 13º “prejudicava a todos”.
Poder
Questionado pelo jornal El País se havia chance de o PT “ganhar, mas não levar as eleições”, o ex-ministro José Dirceu disse que era “improvável”, mas que, se ocorresse, “seria uma questão de tempo para a gente tomar o poder, o que é diferente de ganhar as eleições”.
Depois da polêmica, Dirceu recuou e afirmou que sua fala foi “infeliz”.
Indulto
Candidato à reeleição em Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) afirmou a líderes políticos na cidade de Teófilo Otoni que, se eleito, “Haddad assinará um indulto a Lula em seu primeiro dia de governo”.
Haddad negou e afirmou que o ex-presidente “é o primeiro a dizer que quer o reconhecimento do Judiciário”. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, disse que não via “problema nenhum” no indulto, mas que “respeitava a decisão” de Lula.
SPC
No primeiro debate entre os candidatos, realizado pela TV Bandeirantes, Ciro Gomes (PDT) prometeu que “iria ajudar os 63 milhões de brasileiros endividados” a “tirar o seu nome do SPC.
Manteve a proposta e foi detalhando aos poucos. Disse que estimularia Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a refinanciar as dívidas, mas que só valeria para quem estivesse endividado até o momento em que falou sobre o assunto pela primeira vez.