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Política Às vésperas de audiência nos Estados Unidos, Flávio acusa Lula de usar soberania como “falsa narrativa”

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Em vídeo gravado em Washington, senador afirma que presidente "é o único que quer a tarifa". (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Na véspera da audiência pública que antecede a decisão do governo dos Estados Unidos sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vídeo gravado em Washington e divulgado nessa segunda-feira (6), o parlamentar acusou o petista de utilizar uma “falsa narrativa” de defesa da soberania nacional para explorar politicamente a crise comercial com os Estados Unidos e afirmou que Lula “é o único que quer a tarifa”.

A gravação foi divulgada poucas horas antes de Flávio participar da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), última etapa da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho. O senador será o primeiro expositor do oitavo painel da sessão, nesta terça-feira (7), e terá cerca de cinco minutos para apresentar argumentos contra a sobretaxa, defender o Pix e responder a eventuais perguntas dos técnicos responsáveis pela investigação.

No vídeo, Flávio atribui ao governo Lula a responsabilidade pela deterioração da relação entre Brasília e Washington e afirma que o presidente deixou de atuar para impedir a aplicação das tarifas.

“Eu queria entender o que passa na cabeça de uma pessoa que não enxerga a força que o Lula faz para que os produtos brasileiros sejam tarifados pelos Estados Unidos. Para ele usar a falsa narrativa de defesa da soberania. Ele está se lixando para a soberania brasileira. Por causa do efeito Lula é que hoje o Brasil tem chance de ser tarifado”, afirmou.

Na sequência, o senador criticou o governo por, segundo ele, não defender os interesses brasileiros na audiência promovida pelo USTR.

“Ele não mandou ninguém para cá, nem uma única pessoa para defender o Brasil aqui nesse tribunal que vai sugerir se o governo americano deve impor ou não a tarifa de 25% aos produtos brasileiros. O Lula é o único que quer a tarifa. E eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil ainda”, disse.

O governo brasileiro, porém, informou nessa segunda que enviou uma observadora da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar os dois dias de audiência pública. Segundo o Itamaraty, a sessão organizada pelo USTR não é tratada como um canal de negociação entre os governos, mas como um espaço destinado a ouvir manifestações de empresas, entidades do setor produtivo e representantes da sociedade civil. A posição do governo é que as tratativas oficiais continuam sendo conduzidas pelos canais diplomáticos.

A última conversa virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ocorreu na última quinta (2). O governo brasileiro espera uma nova rodada de negociações nos próximos dias, antes do prazo final de 15 de julho para que os Estados Unidos anunciem se aplicarão ou não as tarifas.

O vídeo divulgado por Flávio antecipa a estratégia que será adotada na audiência desta terça-feira. Conforme o jornal O Globo, aliados do senador decidiram recalibrar o discurso após a repercussão negativa do documento de 86 páginas encaminhado ao USTR, no qual o parlamentar propôs suspender a aplicação das tarifas enquanto Brasil e Estados Unidos negociassem os pontos da investigação. A campanha avalia que a proposta acabou sendo interpretada como uma defesa do adiamento das medidas para depois das eleições brasileiras e, por isso, a orientação agora é enfatizar que Flávio é contrário ao tarifaço e defender que a crise seja resolvida por meio de negociação.

Além da oposição às tarifas, o senador pretende dedicar parte da apresentação à defesa do Pix, um dos temas incluídos na investigação comercial americana. O argumento será o de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e não uma empresa que concorra com plataformas americanas, motivo pelo qual não deveria ser alvo de qualquer medida de retaliação.

Outro ponto da fala será a defesa de uma maior aproximação econômica entre Brasil e Estados Unidos. No documento entregue ao USTR, Flávio afirma que o Brasil precisa “se libertar das amarras do Mercosul” para ampliar acordos comerciais bilaterais e negociar diretamente com outros parceiros econômicos. (Com informações do jornal O Globo)

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