Segunda-feira, 16 de março de 2026
Por Redação O Sul | 15 de março de 2026
Um homem armado com um fuzil jogou seu veículo contra uma das maiores sinagogas reformistas dos Estados Unidos, localizada em um subúrbio de Detroit, no Michigan, e foi morto por seguranças. Um dia depois, na sexta-feira (13), quatro homens foram presos suspeitos de provocar uma explosão diante de uma sinagoga em Rotterdam, na Holanda. Ainda assim, as ocorrências chamaram a atenção: elas se somam a uma série de ataques e ameaças feitos contra alvos judeus e norte-americanos em diferentes partes do mundo desde o início da guerra iniciada por Washington e Tel Aviv contra o Irã em 28 de fevereiro.
Autoridades e analistas já haviam alertado para o risco de ações isoladas – muitas vezes atribuídas a “lobos solitários” ou pequenos grupos – como forma de retaliação indireta à escalada do conflito. Ao todo, pelo menos cinco agressões foram registradas na Europa e nos Estados Unidos em menos de duas semanas. Embora nenhuma delas tenha sido atribuída oficialmente ao Irã, numerosos serviços de inteligência europeus acusam Teerã de dispor de uma rede composta por agentes e criminosos para realizar operações clandestinas.
“Redes criminosas têm substituído cada vez mais os serviços iranianos na execução de ataques violentos no exterior. Deve-se partir do princípio de que essa nova estratégia vai se intensificar”, disseram os serviços austríacos (DSN) em relatório ainda em 2024, muito antes do conflito atual, acrescentando que esses subcontratados provêm “do crime organizado, de cartéis de drogas, de milícias pró-iranianas, de organizações terroristas, mas também de criminosos isolados e membros de gangues violentas”.
“Ativar essas redes de subcontratados criminosos seria a opção mais provável e simples para o Irã”, disse Thomas Renard, diretor do Centro Internacional para a Luta contra o Terrorismo (ICCT, em inglês), indicando que a República Islâmica também poderia “ativar as redes vinculadas ao Hamas e ao Hezbollah na Europa”.
No dia 10, o Chipre prendeu um suspeito de contrabandear armas para o grupo terrorista Hamas. O material, segundo promotores federais alemães, seria destinado a ataques contra instituições israelenses ou judaicas na Alemanha. Nascido no Líbano, o suspeito, identificado apenas como Kamel M., era procurado pelo transporte de 300 cartuchos de munição real. Além dele, foram detidos nas últimas semanas outros três homens acusados de fornecer armas de fogo e munições para membros do Hamas no território alemão.
Ataques registrados
Algumas dessas ações já foram amplamente relatadas. Uma sinagoga na cidade de Liège foi danificada por uma explosão na última semana que não deixou feridos. O prefeito da cidade, Willy Demeyer, classificou o incidente como “um ato extremamente violento de antissemitismo”, enquanto o primeiro-ministro Bart De Wever escreveu mais tarde nas redes sociais que estava em “solidariedade com a comunidade judaica”.
A Embaixada dos Estados Unidos em Oslo sofreu danos leves após uma explosão ter sido orquestrada. À emissora pública norueguesa NRK, autoridades do país disseram trabalhar com a hipótese de um “ato de terrorismo”, embora tenha reforçado que não estão “totalmente presos a essa possibilidade”. Dias depois, três irmãos noruegueses de origem iraquiana foram presos sob suspeita de envolvimento com o caso. O embaixador do Irã em Oslo negou qualquer envolvimento de seu país no incidente.
No sábado, um apoiador do presidente Donald Trump que havia sido perdoado por sua participação no ataque ao Capitólio em janeiro de 2021 organizou uma manifestação diante da residência oficial do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, contra a “tomada islâmica de Nova York”. O protesto foi superado em número por contramanifestantes, e um homem acendeu e lançou uma bomba caseira na rua. Dois homens foram acusados pelo suposto ataque terrorista, e ambos citaram o Estado Islâmico após serem presos.
Autoridades francesas registraram 92 incidentes próximos de sinagogas e escolas judaicas em outubro de 2023, incluindo ataques com coquetéis molotov e ameaças. Atos antissemitas na França quadruplicaram em 2023 em comparação com o ano anterior. Já no Reino Unido, um ataque terrorista à sinagoga Heaton, em Manchester, em 2 de outubro de 2025, matou duas pessoas. Segundo a Community Security Trust, houve 562 incidentes contra sinagogas no Reino Unido entre 2023 e 2025. (As informações são do jornal O Globo)
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